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Marcha pela Ciência?

A Marcha pela Ciência é já amanhã, e ocorre em muitas cidades do Mundo. A Marcha nasceu nos Estados Unidos, como forma de luta política, e daí se estendeu pelas várias cidades do Mundo.

Pessoalmente, vejo a politização da Ciência e dos Cientistas de uma forma muito negativa. Todavia, é apenas mais um passo na descredibilização de muita da Ciência actual, e que aqui temos vindo a expôr.

As evidências dos problemas da Ciência moderna estão por todo o lado. E, a nós Portugueses, a morte esta semana de uma adolescente de 17 anos parece ser mais um exemplo anti-Ciência, mas que é precisamente ao contrário.

A opção de não vacinação teve um forte impulso quando em 1998 o médico Andrew Wakefield publicou na revista científica The Lancet, considerada pelos próprios the world’s leading independent general medical journal, um artigo em que associava a toma da vacina do sarampo+papeira+rubéola ao autismo.

Esta “Ciência”, aliás da melhor ciência do Mundo, por ter sido publicada no The Lancet, não foi desmascarada pelos colegas cientistas. Não, foi desmascarada por um jornalista, Brian Deer, em 2004, no jornal The Sunday Times. Numa primeira fase, a revista The Lancet ainda tentou boicotar a sua investigação, mas foi preciso esperar até 2010 para que o paper fosse completamente retratado.

Não é preciso fazer muitas contas para perceber como esta “Ciência” terá influenciado a vida de muitos, e porventura da adolescente de 17 anos que esta semana morreu em Portugal. Mesmo antes de Trump, veja-se a posição de Obama e Hillary neste domínio, que em 2008 pareciam ainda alinhar com a “Ciência” de Wakefield.

Brian Deer esteve em Portugal o ano passado, mas a única notícia que encontrei foi esta. A leitura do seu blog, e em particular deste artigo, vão no sentido de muita informação que tenho recolhido nos últimos tempos, e que nos dizem que a “Ciência” já não é o que era… Um jornalista a seguir!

A luta pela credibilização da Ciência não se faz por isso nas ruas. A melhor coisa que a “Ciência” poderia fazer era uma espécie de mea-culpa, parar para pensar, e provavelmente dedicar-se nos próximos tempos a expôr a má Ciência. Ou tudo aquilo que nos é vendido, de forma directa ou indirecta, como cientificamente credível.

Aqui no Poupar Melhor já o fizemos inúmeras vezes, e até com sacrifício nosso, com o célebre episódio do Molecoiso… E continuaremos a fazer, porque aqui não vamos pelo caminho da política, mas mais pelo Método Científico!

Contadores inteligentes que contam mal

Segundo um estudo de investigadores da Universidade de Twente, há contadores inteligentes com leituras quase seis vezes maior que as da energia efectivamente consumida.

Os investigadores puseram à prova nove contadores inteligentes utilizados na Holanda, e produzidos entre 2004 e 2014. Infelizmente, do material que está publicamente disponível, não estão indicadas as marcas/modelos.

No abstract do paper original, pode-se ler que dos nove contadores, houve dois que se desviaram no sentido contrário. Registaram desvios de -31% e -32% . Mas foram os desvios positivos que deram muito na vista. Esses desvios chegaram a ser de +475%, +566%, +569%, +581% e +582% !

As leituras incorrectas foram atribuídas ao desenho do contador inteligente, associado ao número cada vez maior de interruptores electrónicos. Muitos desses equipamentos são mesmo pensados para poupança de energia. Estes equipamentos introduzem distorções à forma senoidal das ondas de energia, distorções mal interpretadas pelos contadores inteligentes. Os investigadores conseguiram ainda correlacionar as leituras invulgarmente elevadas com aqueles contadores que utilizam um “Rogowski Coil”, enquanto os contadores com leituras abaixo do normal utilizam um “Hall Sensor”.

Pelo que li do estudo, fiquei todavia com sérias dúvidas sobre o alcance do erro. Quando estamos a falar de lâmpadas LED e interruptores, estamos a falar de consumos baixos. Também não temos a noção durante quanto tempo se manifesta o erro de leitura. A mim não me admirava que estivesse relacionado com consumos mais próximos de zero, conforme evidenciamos neste artigo

Mensagens subliminares

Há muito tempo atrás, foi-me vendida a história das mensagens subliminares, e de uma em particular, que havia sido testada nos cinemas. Contei-a há uns dias no jantar de família. A história é simples: investigadores haviam inserido num filme num cinema as frase “Eat Popcorn” e “Drink Coca-Cola“. Cada uma dessas frases foi mostrada por 1/3000 de segundo, cada cinco segundos. Os resultados do estudo foram a de que, depois da exibição dos filmes com essas mensagens subliminares, os espectadores saíam e compravam muitas mais pipocas e Coca Cola. Malditas mensagens subliminares!

Não sei onde, nem quem, me contou esta história. Mas como muitas coisas na minha vida, senti-me na obrigação de enviar os links com mais pormenores relativos às mensagens subliminares. Foi quando fazia essa pesquisa rápida que me apercebi que esta experiência havia sido afinal uma fraude! Descobri rapidamente que até há teses sobre o assunto

Enfim, para além do filme, repus a verdade no jantar seguinte. Mea culpa! Bendita Internet, que nos ajuda a descobrir a verdade até rapidamente, quando a queremos descobrir. Porque muitas vezes, limitamo-nos a propagar notícias e ideias que não são bem verdade…

Offshores e outras engenharias financeiras

Muito se fala por aí nos últimos dias sobre offshores. Numa altura em que o dinheiro é um bem escasso, não falta quem tenha ideias de ir sacá-lo onde quer que o haja… Acontece que o termo offshore não tem uma definição clara. Gosto mais do termo paraíso fiscal, embora também aqui a definição tenha que ser utilizada no sentido lato…

É engraçado que aqueles que tanto criticam as offshores em Portugal têm um problema quando têm que abordar, por exemplo, a indignação da Ministra das Finanças sueca. Que não é só sueca, porque é francesa também

Claro que como bom paraíso fiscal que somos, mas só para os reformados, e só para estrangeiros, até fazemos questão de promover esta oferta lá fora! A única excepção para já serão provavelmente os reformados dos Estados Unidos, por causa de uma coisa chamada FATCA… Que não tardará a ser alargada a outros países!

Poderíamos continuar a arranjar mais paraísos fiscais. Em Portugal, há o caso notável da Madeira. Mas, há mais, muitos mais! Por exemplo, paga-se menos IRS em determinados municípios Portugueses. Como podem ver nesta lista, são poucos aqueles onde isso se consegue, mas logo no início da lista aparece Albufeira, que oferece um desconto de 5% no total do IRS pago. Coisa pouca, que não justificará a mudança para lá… E benesses aos mais diversos níveis existem, quer para os cidadãos, quer para as empresas, como até já referimos aqui. Se eu tivesse uma família numerosa e fosse viver para Albufeira, seria uma atitude criticável?

Há também quem se insurja com o anúncio de técnicas para pagar menos impostos. Uma coisa chamada por alguns de engenharia fiscal, mas que não deixa de ser promovido por entidades como a DECO. Mas, se acham que engenharia fiscal é uma coisa complexa, os Suecos encarregaram-se de mostrar à sua Ministra das Finanças como é que se poupa e ganha dinheiro, à custa do próprio Estado. Não admira pois que ande indignada, e descarregue as suas frustações no nosso Ministro das Finanças…

Semáforos Intermitentes

Este fim de semana dei por mim a ter que parar em vários semáforos, porque estavam naturalmente vermelhos. Acontece que ficamos todos chateados quando percebemos que aquilo é tudo uma perda de tempo, dado que mais ninguém está a usufruir do semáforo que está verde.

Este tema chateia-me solenemente. A estupidez dos semáforos devia merecer alguma atenção numa idade em que saem notícias de várias conquistas tecnológicas, e em que os Media falam dos sucessos de eventos como o Web Summit… E, entretanto, continuamos comandados pela estupidez dos semáforos… É verdade que há já alguns exemplos de inteligência, como referimos neste artigo.

Há pequenos ajustamentos que se podiam fazer a esta tecnologia datada, com grandes vantagens. Um deles é passar uma série de semáforos a intermitentes, fora do período em que servem efectivamente para alguma coisa. Conheço, por exemplo, uns que ficam em frente a umas escolas, totalmente justificados, quando há aulas. O problema é que continuam a confundir o trânsito durante a noite e madrugada, e fins de semana, quando não há qualquer criança por perto. E muitos exemplos semelhantes se encontram.

Resultaria desta simples programação uma série de benefícios. Obviamente, de tempo. Depois, numa redução dos consumos, com a consequente redução de emissões, que todos agradecemos. Noutras paragens, parece que aumenta mesmo a segurança em geral.

E, para aqueles preocupados com a segurança, é preciso dizer que também há acidentes quando os semáforos funcionam. Eu, sempre que vejo um semáforo intermitente, tenho até mais cuidado de que quando eles estão verdes…

A finta do Governo no IMI

A polémica do IMI ainda está quente, e tudo o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Quando escrevi o artigo sobre Imposto sobre a Orientação Solar, procurei em vão algo que sustentasse a notícia, como faço sempre. Como não encontrei, e como não consegui ver a notícia toda no Jornal de Negócios, escrevi com aquilo que estava disponível na segunda-feira ao final da noite. Só para terem uma ideia, ontem quando escrevi este artigo, até a página do Código do IMI na própria AT estava por atualizar….

Acontece que afinal já havia no IMI orientação para cobrar a orientação solar. O que na verdade ocorreu foi que o Governo aumentou significativamente o coeficiente “Localização e operacionalidade relativas”. E fez mais uns truques sujos…

Comecemos pela alteração do coeficiente. Em primeiro lugar, vá ao site do Portal das Finanças e descarregue a sua Caderneta Predial, e siga as instruções do Pedro Andersson para ver se já está a pagar o Sol. Mas, se seguiu o nosso conselho e pediu uma reavaliação do seu imóvel, então deverá ter em seu poder um documento da AT em que é especificado o que é contabilizado em “Elemento(s) de Qualidade e Conforto”. Infelizmente, nos coefientes que tem um intervalo de variação, não lhe dizem quanto deram ao coeficiente, mas em muitos casos será possível inferir o seu valor, como foi o meu caso. No meu caso pessoal, está claro que o valor é Zero.

Acontece que na amostra que tenho até agora, e são já mais de dez, em nenhum deles o coeficiente “Localização e operacionalidade relativas” aparece. O que não deixa de ser estranho… Se o Governo muda esse coeficiente, é porque alguma coisa deve estar para acontecer?

O que na verdade aconteceu é que a receita do IMI baixou significativamente este ano! Portanto, é preciso fazê-la subir outra vez! Por mais que os nossos governantes tentem disfarçar

Na verdade, o coeficiente que dantes era de -5% até +5%, passou agora a ser de -10% a +20%. Como é bom de ver, quem é prejudicado na localização e tem por isso um coeficiente negativo, vai beneficiar pouco; quem tem um coeficiente positivo arrisca-se a uma subida, que literalmente poderá ser de até +20% (tenderá a ser todavia menor…). Tudo isto dependerá de como este coeficiente está a ser calculado, mas como referi, pela minha pequena amostra, muitos estarão com o valor zero, pelo que o risco de subida será significativo.

E que dizer em termos comparativos? Com uns telheiros, um terraço e uma boa orientação, uma casa normal pode começar a levar com um coeficiente de até 20%… O mesmo que morar num condomínio fechado? Mais de três vezes mais que ter uma piscina? E, pasme-se, mais de seis vezes mais que quem tem um campo de ténis???

Mas, o pior, o pior está reservado para o final. O Decreto-Lei nº 42/2016, no nº 3 do artigo 77º, refere o seguinte:

  • A iniciativa da impugnação a que se refere o n.º 1 cabe ao sujeito passivo, à câmara municipal ou à junta de freguesia, quando esta última seja beneficiária da receita.

Acontece que até ao mês passado, apenas o dono ou a AT podiam pedir a reavaliação de um “prédio” (ver definição de prédio). Para não serem afectados, a única coisa que tinham que fazer é estar quietos. Agora, as Câmaras Municipais e até, pasme-se, um Presidente de Junta interessado, podem requerer que a avaliação do seu “prédio” seja efectuada!!!

E é aqui que a porca torce o rabo. Qualquer Presidente de Câmara ou de Junta pode começar a pedir reavaliações dos seus rivais. Pode começar a aumentar a receita, pedindo reavaliações daqueles “prédios” que sabem, à partida, serão aumentados. E esquecerão convenientemente aqueles que possam ser beneficiados, a menos que seja para pagar uns favores? As variantes ao tema são quase infinitas, mas numa coisa não devo estar errado, sem sequer perceber muito do assunto: muitas destas situações violam uma série de regras que estão dispostas na Constituição…

Aqui no Poupar Melhor continuaremos atentos a formas como possamos poupar também nos Impostos, de um ponto de vista estritamente legal. O Estado está cada vez mais roliço, e por isso precisa de arrecadar cada vez mais impostos. Infelizmente, não dizem isso de forma clara, e é esta aldrabice e chico-espertice que tem que acabar!