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Medidores de tensão pouco precisos?

Temos falado aqui várias vezes sobre a tensão arterial, nomeadamente como medir a tensão, como controlar a tensão e também como baixar a tensão.

Foi com alguma surpresa que li no outro dia que os medidores de tensão que temos em casa podem não ser tão precisos quanto isso. Nesse artigo, refere-se um artigo científico onde se constatou que alegadamente 70% dos medidores tinham uma diferença de 5 mmHg ou mais.

O artigo parece ser interessante, mas mereceu-me alguma desconfiança. Errar 5 mmHg não me parece nada de extraordinário, e inclusivé, eles rejeitaram medições quando dois médicos não conseguiam medições dentro de um intervalo de 4 mmHg. Então, queixam-se que 70% dos medidores se enganam, mas não dizem qual a taxa de erro dos médicos?

Uma pesquisa rápida pela Internet confirma que estas conclusões não devem ser aceites tão rapidamente. Este estudo evidencia os múltiplos factores que influenciam a medição da tensão. Este outro estudo de há uns anos atrás chegou a valores bem diferentes. E isto foi apenas um minuto de pesquisa no Google, com múltiplos outros links a falarem da incerteza das medições… Pois claro!

Duas filas únicas

Este fim de semana, quando andava à pressa nas compras no Continente, por entre a música que passavam, levei com uma voz que referenciava a existência de uma nova fila única, e que solicitava a nossa colaboração para tornar o serviço melhor. Qualquer coisa do género…

É preciso dizer que tinha desistido de escrever sobre esta aberração da Fila Única. Mas tive que fazer outra excepção. Depois do inacreditável que narrei neste artigo, atingi há uns meses novo recorde na análise: estavam 19 caixas abertas, enquanto cinco pessoas geriam a fila. Uma ineficiência aberrante, que poderia ser melhorada em mais de 25% (5/19)!

Pouco depois, quando circulava com o carrinho junto das caixas, descobri que a fila única não estava no local habitual. Mas quando olhei melhor, qual não foi o meu espanto quando descobri que agora existiam duas filas únicas??? Sim, únicas, mas duas delas. Tipo 2=1 …

Enfim, alguém no Continente deve ter descoberto finalmente a luz! Que a fila única não servia, pelo que inventou uma segunda. Aliás, só concebo a coisa assim, e que mudaram para melhor. Mas tudo é possível, como já se viu pelo exemplo do aeroporto.

Segundo a lógica simples, o responsável do Continente provavelmente reconhecerá o óbvio: que três filas únicas serão melhores que duas, e assim sucessivamente. Até que voltaremos a ter as filas todas, e pessoas a atender os clientes, em vez de gerirem filas…

Aliás, a estratégia anterior será a correcta uma vez que eles se tenham apercebido de quanto andaram a perder no últimos dois anos. Em vez de darem o braço a torcer, andam a camuflar o erro e a solução. Mas isso confirmaremos, ou não, nos próximos tempos…

Duas filas únicas

Marcha pela Ciência?

A Marcha pela Ciência é já amanhã, e ocorre em muitas cidades do Mundo. A Marcha nasceu nos Estados Unidos, como forma de luta política, e daí se estendeu pelas várias cidades do Mundo.

Pessoalmente, vejo a politização da Ciência e dos Cientistas de uma forma muito negativa. Todavia, é apenas mais um passo na descredibilização de muita da Ciência actual, e que aqui temos vindo a expôr.

As evidências dos problemas da Ciência moderna estão por todo o lado. E, a nós Portugueses, a morte esta semana de uma adolescente de 17 anos parece ser mais um exemplo anti-Ciência, mas que é precisamente ao contrário.

A opção de não vacinação teve um forte impulso quando em 1998 o médico Andrew Wakefield publicou na revista científica The Lancet, considerada pelos próprios the world’s leading independent general medical journal, um artigo em que associava a toma da vacina do sarampo+papeira+rubéola ao autismo.

Esta “Ciência”, aliás da melhor ciência do Mundo, por ter sido publicada no The Lancet, não foi desmascarada pelos colegas cientistas. Não, foi desmascarada por um jornalista, Brian Deer, em 2004, no jornal The Sunday Times. Numa primeira fase, a revista The Lancet ainda tentou boicotar a sua investigação, mas foi preciso esperar até 2010 para que o paper fosse completamente retratado.

Não é preciso fazer muitas contas para perceber como esta “Ciência” terá influenciado a vida de muitos, e porventura da adolescente de 17 anos que esta semana morreu em Portugal. Mesmo antes de Trump, veja-se a posição de Obama e Hillary neste domínio, que em 2008 pareciam ainda alinhar com a “Ciência” de Wakefield.

Brian Deer esteve em Portugal o ano passado, mas a única notícia que encontrei foi esta. A leitura do seu blog, e em particular deste artigo, vão no sentido de muita informação que tenho recolhido nos últimos tempos, e que nos dizem que a “Ciência” já não é o que era… Um jornalista a seguir!

A luta pela credibilização da Ciência não se faz por isso nas ruas. A melhor coisa que a “Ciência” poderia fazer era uma espécie de mea-culpa, parar para pensar, e provavelmente dedicar-se nos próximos tempos a expôr a má Ciência. Ou tudo aquilo que nos é vendido, de forma directa ou indirecta, como cientificamente credível.

Aqui no Poupar Melhor já o fizemos inúmeras vezes, e até com sacrifício nosso, com o célebre episódio do Molecoiso… E continuaremos a fazer, porque aqui não vamos pelo caminho da política, mas mais pelo Método Científico!

Contadores inteligentes que contam mal

Segundo um estudo de investigadores da Universidade de Twente, há contadores inteligentes com leituras quase seis vezes maior que as da energia efectivamente consumida.

Os investigadores puseram à prova nove contadores inteligentes utilizados na Holanda, e produzidos entre 2004 e 2014. Infelizmente, do material que está publicamente disponível, não estão indicadas as marcas/modelos.

No abstract do paper original, pode-se ler que dos nove contadores, houve dois que se desviaram no sentido contrário. Registaram desvios de -31% e -32% . Mas foram os desvios positivos que deram muito na vista. Esses desvios chegaram a ser de +475%, +566%, +569%, +581% e +582% !

As leituras incorrectas foram atribuídas ao desenho do contador inteligente, associado ao número cada vez maior de interruptores electrónicos. Muitos desses equipamentos são mesmo pensados para poupança de energia. Estes equipamentos introduzem distorções à forma senoidal das ondas de energia, distorções mal interpretadas pelos contadores inteligentes. Os investigadores conseguiram ainda correlacionar as leituras invulgarmente elevadas com aqueles contadores que utilizam um “Rogowski Coil”, enquanto os contadores com leituras abaixo do normal utilizam um “Hall Sensor”.

Pelo que li do estudo, fiquei todavia com sérias dúvidas sobre o alcance do erro. Quando estamos a falar de lâmpadas LED e interruptores, estamos a falar de consumos baixos. Também não temos a noção durante quanto tempo se manifesta o erro de leitura. A mim não me admirava que estivesse relacionado com consumos mais próximos de zero, conforme evidenciamos neste artigo

Mensagens subliminares

Há muito tempo atrás, foi-me vendida a história das mensagens subliminares, e de uma em particular, que havia sido testada nos cinemas. Contei-a há uns dias no jantar de família. A história é simples: investigadores haviam inserido num filme num cinema as frase “Eat Popcorn” e “Drink Coca-Cola“. Cada uma dessas frases foi mostrada por 1/3000 de segundo, cada cinco segundos. Os resultados do estudo foram a de que, depois da exibição dos filmes com essas mensagens subliminares, os espectadores saíam e compravam muitas mais pipocas e Coca Cola. Malditas mensagens subliminares!

Não sei onde, nem quem, me contou esta história. Mas como muitas coisas na minha vida, senti-me na obrigação de enviar os links com mais pormenores relativos às mensagens subliminares. Foi quando fazia essa pesquisa rápida que me apercebi que esta experiência havia sido afinal uma fraude! Descobri rapidamente que até há teses sobre o assunto

Enfim, para além do filme, repus a verdade no jantar seguinte. Mea culpa! Bendita Internet, que nos ajuda a descobrir a verdade até rapidamente, quando a queremos descobrir. Porque muitas vezes, limitamo-nos a propagar notícias e ideias que não são bem verdade…

Offshores e outras engenharias financeiras

Muito se fala por aí nos últimos dias sobre offshores. Numa altura em que o dinheiro é um bem escasso, não falta quem tenha ideias de ir sacá-lo onde quer que o haja… Acontece que o termo offshore não tem uma definição clara. Gosto mais do termo paraíso fiscal, embora também aqui a definição tenha que ser utilizada no sentido lato…

É engraçado que aqueles que tanto criticam as offshores em Portugal têm um problema quando têm que abordar, por exemplo, a indignação da Ministra das Finanças sueca. Que não é só sueca, porque é francesa também

Claro que como bom paraíso fiscal que somos, mas só para os reformados, e só para estrangeiros, até fazemos questão de promover esta oferta lá fora! A única excepção para já serão provavelmente os reformados dos Estados Unidos, por causa de uma coisa chamada FATCA… Que não tardará a ser alargada a outros países!

Poderíamos continuar a arranjar mais paraísos fiscais. Em Portugal, há o caso notável da Madeira. Mas, há mais, muitos mais! Por exemplo, paga-se menos IRS em determinados municípios Portugueses. Como podem ver nesta lista, são poucos aqueles onde isso se consegue, mas logo no início da lista aparece Albufeira, que oferece um desconto de 5% no total do IRS pago. Coisa pouca, que não justificará a mudança para lá… E benesses aos mais diversos níveis existem, quer para os cidadãos, quer para as empresas, como até já referimos aqui. Se eu tivesse uma família numerosa e fosse viver para Albufeira, seria uma atitude criticável?

Há também quem se insurja com o anúncio de técnicas para pagar menos impostos. Uma coisa chamada por alguns de engenharia fiscal, mas que não deixa de ser promovido por entidades como a DECO. Mas, se acham que engenharia fiscal é uma coisa complexa, os Suecos encarregaram-se de mostrar à sua Ministra das Finanças como é que se poupa e ganha dinheiro, à custa do próprio Estado. Não admira pois que ande indignada, e descarregue as suas frustações no nosso Ministro das Finanças…