“Multas” na electricidade?

A nossa leitora Helena Almeida, no artigo sobre como chegar a valores mais precisos na escolha de um novo tarifário de electricidade, alerta para o facto de que muita gente está convencida que, se não mudar para o mercado liberalizado de electricidade, vai ser multada…

Nada mais errado! Não há nenhuma multa para quem não mudar, e como referimos neste artigo compete apenas à ERSE aplicar um “fator de agravamento, o qual visa induzir a adesão gradual às formas de contratação oferecidas no mercado”. Infelizmente, e como verificamos no mesmo artigo, muitos dos tarifários do mercado liberalizado sofrem igualmente desse “fator de agravamento”.

Donde, e porque surge exactamente a ideia da multa, é sempre algo difícil de averiguar. Todavia, lembro-me perfeitamente de ter comprado há uns tempos o Jornal i, pelo choque que me mereceu a capa. Fiquei frustrado pelo que li no interior, pelo que seguiu rapidamente o caminho da reciclagem… Foi preciso procurá-lo outra vez, e depois de alguma pesquisa na Internet, consegui voltar a encontrá-lo:

Multa no Jornal i

Multa no Jornal i

Na capa, a mensagem é clara: “Sabia que tem de fazer um novo contrato de electricidade se não quiser ser multado a partir de 1 de Janeiro?”. O tema é desenvolvido nas páginas interiores, como referi, e essa parte está disponível online. No título já só se fala em penalizações, e em todo o artigo o termo “multa” aparece apenas uma vez, e entre aspas…

Como se observa na imagem e no artigo, a edição do Jornal i é a do último fim de semana do ano de 2012. Não é difícil advinhar o pânico de muitos leitores, sabendo que só lhes faltava a segunda-feira seguinte, dia 31 de Dezembro, para tratarem do problema e não serem multados! É por isso cómico quando se assiste posteriormente à estupefacção de cronistas, de jornais como o Expresso, onde Luísa Schmidt, a 26 de Janeiro de 2013 se interrogava do porquê de “Um ‘ganda’ 31”.

Um 'ganda' 31

Um ‘ganda’ 31

O artigo está transcrito aqui, onde Luísa se interroga sobre as “filas quilométricas” no “réveillon aos balcões da EDP”, “com muitos idosos”… A investigadora Luísa Schmidt constata a ideia da “multa”, e do facto da EDP ter apanhado “uma bela carteira de clientes”, “sem fazer de propósito, claro…”. O que a Luísa não viu foi certamente o Jornal i desse fim de semana…

Este “réveillon aos balcões da EDP” ajudou certamente a compor os números da ERSE que se congratula com o grande mês de Dezembro, com “o maior número de mudanças de sempre com cerca de 189 mil consumidores a aderirem ao regime de mercado”. O problema é que esta liberalização não está a trazer nada de bom, e por isso eu continuo fora do mercado liberalizado, à espera das próximas ameaças de “multas”…

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  1. Tal como eu copntinuo no mercado regulado. Enquanto os preços do mercado liberalizado estiverem “indexados” aos do mercado regulado (no caso do bi-horário) …mudar para quê? A oferta que existe não é a favor do consumidor. Até ao fim de 2015 espero que haja mais alguma oferta digna desse nome.

  2. Pois é pensando bem, não há coincidências…

    Por isso as filas intermináveis.

    Mais uma vez obrigada pelas suas explicações.

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  1. Fidelização no Mercado Liberalizado da electricidade » Poupar Melhor

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