Lei de Moore

Amanhã, a Lei de Moore faz anos. Fará 50 anos que Gordon Moore, que fundaria em 1968 a empresa que mais tarde se chamaria Intel, escreveu um artigo chamado “Cramming more components onto integrated circuits”. Nesse artigo, Moore previa que por cada ano que passasse seria possível duplicar o número de componentes num circuito integrado. Ele fez essa previsão com base nos valores de componentes que se haviam encaixado num circuito integrado, nos anos anteriores:

Imagem do artigo de 19 de Abril de 1965

Imagem do artigo de 19 de Abril de 1965

10 anos depois, em 1975, a sua previsão não estava muito longe do alvo, dado o crescimento a que se assitira na década anterior. Corrigiu num novo artigo, “Progress in Digital Integrated Electronics” a sua previsão para uma duplicação a cada dois anos. Passados 50 anos, a sua previsão continua muito certeira, conforme se pode observar neste gráfico elaborado pelo Wikipedia:

Evolução da Lei de Moore nas últimas décadas

Evolução da Lei de Moore nas últimas décadas

Muito poderíamos mais falar sobre esta lei de Moore. Para além da página do Wikipedia linkada acima, há outros bons artigos, nomeadamente esta compilação de artigos elaborado pelo IEEE, incluindo uma entrevista ao próprio Moore. Este infográfico da Intel dá igualmente uma visão rápida da evolução.

Para mim, grandes ensinamentos se podem retirar da Lei de Moore. Em particular, ela evidencia como há sistemas deflacionários que funcionam impecavelmente. Note-se que a Lei de Moore não é só sobre cada vez mais poder de cálculo, mas também um custo cada vez menor. Enquanto os economistas gostam de debater se preferimos 1000 euros hoje, ou 1000 euros daqui a um ano, os engenheiros preferem discutir se teremos um processamento a dobrar daqui a um ano, ou se custará metade do que custa hoje… E neste sistema deflacionário não há dúvidas quando se pergunta se se quer o mesmo computador hoje, ou daqui a um ano?

A lei de Moore é igualmente um dos melhores exemplos de progressão geométrica. Reparem que qualquer coisa que começou com uma duplicação de 2 para 4, e por aí acima, já vai nos biliões. As progressões geométricas podem todavia ser igualmente assustadoras…

Finalmente, a Lei de Moore devia ser também uma fonte de inspiração para quem faz previsões. É que as previsões não têm que ser sempre a subir, e por isso chocam muitas vezes com a realidade

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