Pintar um capacete

Capacete pintado

Capacete pintado

“Ah e tal, para pintar um capacete é fácil. É só lixar aqui e pintar ali…” Pois… é tudo facilidades. Mas a realidade é bastante diferente. Se alguém vos vier contar o conto com um final feliz, desconfiem.

Quando me propus pintar um capacete modular que tinha aqui em casa já sabia que me estava a meter em trabalhos. Tirar a tinta de borracha foi metade do trabalho.

Primeiro há que desmontar o capacete. Lembrem-se de onde tiraram as peças. Não façam como eu… Atirei tudo para uma caixa e depois foi como fazer um puzzle, mas na versão irritante.

Peças do capacete

Peças do capacete

O capacete para além de antigo, estava coberto de uma tinta borrachosa. Foram horas a esfregar para remover a cobertura.

Depois deste trabalho todo, há que pintar.

Para pintar, a solução foi criar uma espécie de estúdio de pintura móvel. Nas grandes superfícies de bricolage é possível comprar caixotes de cartão de tamanhos avantajados. Comprei o tamanho maior que tinham disponível e levei-o para a varanda de casa.

Não é propriamente um ambiente livre de poeiras, mas serviu para a experiência.

No caixote coloquei, através do cartão, um gancho improvisado com o arame que recuperei aqui em tempos. Este gancho serviu para ir pendurando as peças, com a capacidade de as rodar pelo lado de fora da caixa sem lhes tocar.

Depois de pintar várias camadas de tinta base, havia que colocar os autocolantes. Tenho uma Honda, por isso, fui até uma loja de equipamentos para motas e comprei uma folha de autocolantes da marca.

Depois de colocados os autocolantes, são aplicadas várias camadas de verniz.

Supostamente, no fina, teria um capacete como novo.

A minha fraca memória é que me fez esquecer da barulheira que este capacete fazia quando andava com ele. A quantidade de molas e peças móveis aumenta a dificuldade em insonorizá-lo e por isso, sim, tenho um capacete com uma pintura personalizada, mas garanto-vos que não vou passear com ele a mais de 50 Km/hora.

Tipos de aviões no FlightRadar24

Sou um fã do FlightRadar24, como já referenciei neste artigo. Há uns dias atrás, por ocasião desta notícia, fiquei a perceber que havia por aí um Antonov. Não fiquei a perceber na notícia aquilo que uma notícia devia dizer, nomeadamente o quando?

No FlightRadar24 nunca procurara por um tipo de avião, mas rapidamente cheguei ao filtro do Antonov: A124. O problema é que não aparecia nenhum a voar! Lá tive que encontrar o registo do avião que anda a frequentar Lisboa e encontrei! Chega de dois em dois dias de manhã (deve estar a aterrar quando este post for publicado) e parte nesse mesmo dia ao final da noite, pouco antes das 23 horas. Há vários vídeos no Youtube dele a chegar e a partir.

Já que descobrira como topar tipos de aviões no o FlightRadar24, resolvi ir à procura de outro gigante dos céus, o A380. Curiosamente, fiquei muito surpreendido! Descobri que eles pareciam estar a voar em bando, como a imagem abaixo evidencia, numa formação de A380s sobre a Europa de Leste:

Bando de A380s

Como instalar o RetroPie juntamente com o OSMC

Retropie_Splash

RetroPie – Emulador de jogos para o Raspberry Pi

Os emuladores de jogos como o MAME servem para jogarmos os sucessos da nossa infância num computador moderno sem termos de desempoeirar um computador ou consola antigos. Alguns destes jogos podem ser jogados de graça.

RetroPie permite instalar e gerir um conjunto de emuladores de máquinas de jogos num mesmo computador. Estamos a falar de jogos que eram jogados em consolas dedicadas dos salões de máquinas de jogo. Cada consola tinha um ou dois botões e um Joystick e para jogar só tínhamos de colocar uma moeda.

Algumas marcas começaram a vender funcionalidades que permitem aceder a jogos endereçados ao casual gamer. A Apple TV ou a Amazon Fire permitem instalar jogos endereçados a estas audiências a partir das respetivas App Store.

Mais uma vez a Internet veio em nosso auxílio. Para instalar o RetroPie no meu Raspberry Pi juntamente com o OSMC bastou usar o script e seguir as instruções do Retrosmc. As instruções implicam:

  1. Aceder ao vosso OSMC por SSH;
  2. Fazer download do script;
  3. Executar os script; e
  4. Seguir as instruções.

Depois de instalados os scripts e emuladores, devem acrescentar um addon de Kodi que permite lançar os jogos a partir do ecrã do Kodi como se fosse qualquer outro program addon.

Para poderem jogar um conjunto de jogos antigos em família vão necessitar de configurar um gamepad no RetroPie ou ter um teclado ligado. Não é propriamente um processo fácil, mas uma vez configurado, funciona como esperado.

Alguns jogos não estão preparados para serem jogados desta forma. Alguns necessitam de alguns ajustes no ecrã de configurações antes de serem jogados.

Depois de tudo configurado e dos jogos identificados pelo RetroPie, a experiência até não é má de todo.

Algumas coisas que me desagradaram nesta solução:

  1. O Kodi deixa de responder quando ligamos a emulação;
  2. Sem um gamepad não se consegue jogar;
  3. Demorou 10 minutos até um dos gaiatos lá de casa resmungar dos gráficos;
  4. Não existe uma forma simples de colocar novos jogos. Só mesmo fazendo upload dos ficheiros para o disco.

Em todo o caso, se têm mesmo vontade de voltar a jogar estes jogos antigos, experimentem e depois contém-nos como foi.

Viagens de avião mais lentas?

Uma notícia de ontem do Daily Mail a relatar que as viagens de avião há 40 anos atrás eram mais rápidas que hoje, deixou-me naturalmente surpreendido… O meu primeiro pensamento foi logo para as traquinices praticadas nos aeroportos, e parece que essa minha primeira impressão não era despropositada.

Primeiro, vamos a factos. A Business Insider tem um pequeno video neste link, onde refere que há mais de 40 anos, um voo entre Nova Iorque e Houston demorava 2 horas e 37 minutos. Aparentemente, hoje demora 3 horas e 50 minutos???

A primeira explicação que dão é que as companhias andam a poupar combustível. Por isso, voam mais devagar… E os pilotos recebem ordens para tirar os pés dos aceleradores, ou seja lá a forma como se acelera lá em cima… É que não são só os carros a esgalhar nas autoestradas que consomem muito mais! E parece que as companhias aéreas poupam uns milhões, só por adicionarem uns minutos ao trajecto…

Mas isso não explica a demora acima! Parece que outro truque é dizer simplesmente que a viagem vai ser mais demorada do que é normalmente, até para depois se gabarem que chegam a horas, ou até antes? Clientes mais felizes, porque chegam antes da hora, mas mais tarde que antes? Uma descrição longa desta técnica é dada neste artigo, com revelações de que muita da propaganda não é suportada,  embora a TAP pareça estar a melhorar neste domínio.

E os truques não ficam só por aí! No artigo do Daily Mail, há mais pistas, com um piloto a avançar que os aviões mais novos são feitos para voarem mais lentamente, justamente para poupar no combustível. É por isso que aparentemente os novos Airbus A330 são mais lentos que os velhinhos 747.

O Telegraph diz neste artigo que o problema é generalizado, dando o exemplo do trajecto entre Madrid e Barcelona, que agora parece levar mais 20 minutos que antes. Os dados podem ser vistos no gráfico no fundo deste artigo, onde se verifica como o tempo de viagem tem aumentado ao longo dos últimos anos.

Há todavia outros factores que também contribuem para isso. O congestionamento aéreo é naturalmente maior, e se tiverem o azar de aterrar em alguns locais, como a nova pista de Amsterdão, são cerca de 15 minutos a passear de avião pelo aeroporto… E as voltinhas por cima das grandes cidades, como é o exemplo de Londres, são bem conhecidas dos passageiros frequentes.

Enfim, mais um conjunto de truques bem esgalhados, e que visam dizer que estamos cada vez melhores, embora na verdade o que se verifique seja uma regressão na grande maioria dos parâmetros. Valha-nos que o preço das viagens não foi certamente um deles!

Tempo de viagem Madrid-Barcelona ao longo dos últimos 20 anos

O que é um bom azeite?

Há cerca de um mês vi o anúncio de um livro que me sucitou curiosidade: “Os 100 Melhores Azeites de Portugal“. O livro é escrito por Edgardo Pacheco, um especialista na área.

Já tive a oportunidade de oferecer o livro, mas ainda não tive oportunidade de o ler todo. Só o folheei, mas vi o suficiente para ir para a minha lista de leitura. Entretanto, já tive oportunidade de ver mais referências online, que me deixaram siderado sobre tudo aquilo que eu não sabia sobre o azeite. Ficam algumas referências para abrir o apetite sobre o tema:

Fake news

O termo Fake News está na moda. É apenas a iteracção mais recente de uma onda que grassa pela Internet pela enésima vez, e esta não será a última…

Nos meus anos iniciais da Internet, aí até 1995, assisti ao crescimento de uma rede, na altura completamente underground. Durante esse período, assisti na primeira linha à perseguição que foi feita à Internet em Portugal. A Internet era supostamente uma coisa muito má, e que já na altura ia contra os interesses de muita boa gente. Cá dentro, mas também lá fora.

A Internet continuou a ser uma coisa muito má. Para muita gente. Também para os Media. E não espanta que seja gente influente a puxar por esta questão do Fake News… Vamos então a um exemplo muito concreto de Fake News…

Ontem, ao início da manhã, tropecei numa notícia muito gira, que diz que nevou no deserto do Sahara, e que terá sido a primeira vez em quase 40 anos que as montanhas se cobriram de branco. O domínio do clima é um dos exemplos perfeitos de Fake News, mas eu sou suspeito, porque não me lembro regra geral do tempo de há mais de 24 horas…

Ora, numa altura em que o domínio é da teoria do Aquecimento Global, pareceu-me que havia gato… O link do Observador é para o Telegraph, um jornal de referência. Este, por sua vez, linka para um site de Ciência, e procurando um pouco mais na Internet vê-se como a história está fundamentada nesta que parece a fonte original.

Acontece que há um problema com todos estes Media de referência. Ninguém sequer parece ter-se importunado em entrevistar o fotógrafo que tirou as fotos. Há pelo menos uma excepção que encontrei na Internet, juro que dois minutos depois de ler a notícia original do Observador. Sabendo que não ia conseguir facilmente ver sites em Árabe, tentei a minha sorte em Espanhol, pois conheço bem as maiores afinidades dos jornalistas do país vizinho com o Norte de África.

A verdadeira notícia encontrei-a no El Pais, onde um jornalista se lembrou de entrevistar efectivamente o fotógrafo. E o que disse o fotógrafo?

  • En verano hace calor, pero en invierno pasamos muchísimo frío
  • No es la primera vez que hago fotos de mi ciudad nevada. Hace tres años también nevó
  • Dicen que hace casi cuarenta años que no nieva en el Sáhara. No nieva todos los años, pero sí sucede de vez en cuando. Es raro, pero no rarísimo

Um meteorologista entrevistado alinha pelo mesmo diapasão:

  • La nieve en el Sáhara no es normal, pero no es tan extraña. Las nevadas en esta ciudad argelina pueden deberse a la gota fría que se originó al oeste de Portugal el pasado viernes. Ese temporal ha viajado por el norte de África, pasando de Marruecos a Argelia
  • pero es falso que en 37 años no haya nevado en este desierto

O artigo termina ainda com exemplos que parecem regurgitar Fake News. Como este exemplo. E outro que se descobre depressa. Vai-se a ver e neva muito mais no deserto que em Lisboa! E se ficasse aqui mais um bocadinho, de certeza que encontrava mais…

Da próxima vez que ouvirem falar de Fake News, e culparem o Zé Povinho que anda no Facebook, entre outros, lembrem-se que hoje em dia quase todos propagamos Fake News muito rapidamente! E para que fique aqui mais uma lista de sites com Fake News, deixo aqui exemplos evidentes:

Actualização: As fake news chegaram à NASA, que não só se refere também ao hiato entre 1979 e o presente, como ainda por cima recomenda a leituras das fake news dos Media! O problema deste site da NASA é que deviam ter olhado para outros sites da NASA, como este que relata o nevão de 2005. Uma pesquisa rápida pela Internet revela caídas de neve substanciais em anos recentes, como o 2005 já referenciado, 2008 e também 2012 (já linkado acima), com fotos aqui. É mesmo possível observar vídeos no Youtube do último evento de neve de Ain Sefra em 2012, bastando procurar no Youtube pelos termos “Ain Sefra neige”. Um exemplo é o seguinte: