Potencial de poupança em standby

Na sequência do artigo sobre o Mapa da subsidiação do combustível fóssil, descobri no site da IEA um documento muito interessante sobre a problemática do consumo de energia em standby.

Intitulado sugestivamente More Data, Less Energy, o documento aborda o crescente consumo de energia de biliões de equipamentos interligados!

Tal é um tema que temos aqui abordado, como o do consumo das boxes, que nos levou a uma solução radical: comandos remotos de energia. Mas o problema é transversal a muitos tipos de equipamentos

A evolução para os próximos anos parece ser preocupante: em vez do problema diminuir, vai mesmo aumentar, como se pode ver na imagem abaixo, retirada do documento da IEA. Aqui, continuaremos a dar exemplos do problema, e dicas para resolver este problema grave, que afecta as contas das nossas famílias e empresas.

Previsões da IEA dos consumos em standby

Previsões da IEA dos consumos em standby

O novo Raspberry Pi B+

O novo Raspberry Pi B+ (RPi+) já está à venda. De acordo com a Raspberry Pi Foundation, o novo RPi é apenas uma implementação melhor do antigo Raspberry Pi B (RPi). Aqui em casa o RPi já serviu para muitas coisas, mas agora está junto à televisão para servir de substituto de Apple TV e de Apple Time Capsule, num 2 em 1 de poupança de que já falei noutros artigos.

Os vídeos falam das principais diferenças entre o anterior RPi e o novo. As principais modificações não têm qualquer impacto na sua aplicação aos objetivos para que uso, mas poderão ter para outras aplicações.

O que quero destacar são as principais características do RPi+ e que podem ser ou não melhorias para os usos em aplicações como o meu 2 em 1:

  • O consumo de energia baixou;
  • As portas de ligação passaram a ficar apenas em 2 dos lados da placa; e
  • O processador tem a mesma capacidade.

Aqui no Poupar Melhor sempre que o consumo de energia baixa ficamos felizes e discordamos daqueles que aumentam os preços quando as pessoas poupam. Por essa razão, qualquer equipamento que se apresente em versões melhoradas com consumos mais baixos pode ser alvo de análise para substituição.

O número de portas e a sua localização alterada também me parece positivo, mas apenas do ponto de vista estético. Do ponto de vista da poupança, a subsitituição de um RPi pelo novo RPi+ implicará custos com a caixa. Aqui em casa isso não teria impacto e até seria interessante porque a caixa é feita em Lego num consórcio com as crianças. Voltando à questão estética, a caixa de Lego é definitivamente a pior opção, mas com cabos a sair de todos os lados do RPi, é como tentar salvar um balde de tinta roxa atirado a uma parede branca pendurando uma foto de 10 por 15 cm na parede.

O veredicto aqui para casa é que não irei substituir o atual RPi pelo RPi+. Com apenas 2 lados da placa com ligações torna-se mais fácil fazer caixas mais elegantes, mas continua a ser um problema estético. Existem opções no mercado com as portas todas do mesmo lado e maior capacidade de processamento.

A capacidade de processamento do RPi não aumentar e não falarem sobre a alimentação a partir das portas USB do RPi+ é a desilusão desta nova versão. A capacidade de processamento do RPi tem sido a principal diferença da experiência de ter um Apple TV ou um RPi com XBMC. Os ecrãs de navegação do XBMC necessitam dessa capacidade para serem fluidos e a falta dela torna-os menos reativos quando comparados com um Apple TV.

Como irei relatar mais tarde, o meu substituto do Time Capsule tem um desafio que é ter um disco externo sempre ligado, sem barulho, o que é difícil porque o RPi não produz energia suficiente nas portas USB para alimentar alguns dos discos externos, servindo apenas para alimentar discos sem peças móveis.

O Raspberry Pi continua a ser uma enorme ajuda para quem tenha poucos conhecimentos tecnológicos e os queira exercitar. Pelo que não se deixem distrair com a minha avaliação que só é válida para as minhas próprias aplicações. Há mesmo muito mais coisas que podem fazer com um Raspberry Pi.

106ª melhoria: a do potencial de poupança de equipamentos em stand by e do novo Raspberry Pi modelo B+

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana a falar sobre um relatório de consumo de energia que foi publicado e que propõem existir um potencial de poupança nos equipamentos interconectados quando em stand by.

Falámos também do Raspberry Pi modelo B+ que saiu e que ainda não é realmente uma nova versão, mas apenas uma versão anterior ligeiramente melhorada.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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Rendimento de um carregador de telemóvel

80% eficiência segundo nergiza.com

80% eficiência segundo nergiza.com

Os carregadores de telemóvel são muito vezes vistos como os maus da fita, no consumo de electricidade em nossas casas. Já nos encarregamos de demonstrar que o consumo de electricidade no carregamento dos telemóveis é negligente, sendo que esse valor é ligeiramente mais elevado para iPads.

Mesmo que gastem pouco, sempre me perguntei qual era todavia a sua eficiência. A resposta veio através do site Nergiza, que com umas experiências simples, chegou a valores de eficiência de carregamento de 80%. Tal é um valor bem elevado, e que nos evidencia a qualidade destes equipamentos muito simples…

Mapa da subsidiação do combustível fóssil

Mapa da subsidiação do combustível fóssil

Mapa da subsidiação do combustível fóssil

Enquanto andamos aqui a tentar preparar-nos para o debate sobre fracking, eis que surge um mapa com a subsidiação do combustível fóssil e uma teoria de que se deixarem de subsidiar o combustível fóssil para subsidiarem na mesma medida as energias alternativas, o problema do aquecimento global desapareceria. O estudo é de um David McCollum, do programa energético do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA).

A proposta deste estudo é que será possível reduzir 2º celcius globalmente seria necessário investir 1,2 triliões de dolars, mas que o dinheiro podia vir dos subsídios de 1 trilião de dolars atribuídos ao combustível fóssil. Uma das conclusões interessantes deste estudo é que será mais rentável manter algumas das atuais centrais termo-elétricas a carvão a substituí-las, por estas exigirem um investimento inferior ao necessário para construir novas e mais eficientes centrais termo-elétricas a carvão.

 

As vantagens competitivas da selecção alemã de futebol

Neste artigo vou referenciar algumas pequenas notas que fui tomando, nos últimos meses, da presença da Alemanha no Mundial do Brasil. Há muito tempo que conheço a forma como os alemães se organizam, e como o planeamento bate quase sempre bastante certo…

Tudo começou quando ouvi falar pela primeira vez do Footbonaut. Nem queria acreditar! Parte dos treinos do Borussia de Dortmund são orquestados por uma máquina, e os jogadores jogam com ela! Quem viu os passes rápidos e certeiros que trocaram as vistas aos Brasileiros, ao ver o seguinte filme, pode imaginar donde vem essa afinação de passe:

Outro factor de sucesso é certamente a aposta nos jovens e nas academias. Em Portugal, quase já não há portugueses a jogar. Na Alemanha, a aposta nos jovens, na formação, já deu resultados muito antes deste Mundial…

Mas onde comecei verdadeiramente a seguir as peripécias da Alemanha no Brasil foi quando ouvi a piada do ferry. Confesso que me surpreendeu ver os Alemães a depender de um ferry:

A Alemanha de ferry no Brasil...

A Alemanha de ferry no Brasil…

Mas tinha que haver alguma razão! Na verdade, os Alemães deram muita importância a várias questões, como veremos mais à frente. Mas, a primeira, foi não encontrar um local que correspondesse aos requisitos. Por isso, construíram de raíz o Campo Bahia. Tudo na sua construção se resumiu a uma estratégia: proporcionar as condições ideais aos seus jogadores!

Campo Bahia

Campo Bahia (in Telegraph)

Segundo um responsável, Oliver Bierhof, tendo em conta as dimensões do Brasil, a Alemanha optou por um local onde as deslocações para as partidas que tinha de realizar causassem o mínimo de incómodo. Se forem ver o mapa do Brasil, vejam as deslocações efectuadas só nos primeiros três jogos, pela equipa alemã e portuguesa:

Deslocações Alemanha vs. Portugal

Deslocações Alemanha vs. Portugal

Ademais, sabiam que quem ganhasse o grupo, teria os potenciais jogos seguintes em: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. E quem ficasse em segundo, jogaria sucessivamente em Salvador, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Olhando para o mapa, percebe-se a dificuldade que a Alemanha teve com a Argélia, em Porto Alegre…

A questão das condições climatéricas foi outro grande trunfo da Alemanha. Os primeiros jogos foram realizados em locais com clima muito semelhante ao de Santa Cruz Cabrália, a localidade onde se situa o Campo Bahia. E enquanto os Alemães treinavam ao meio dia para simular as condições exactas dos jogos, Portugal passava frio em Campinas. Os dados meteorológicos relativos ao mês de Junho, de Campinas e Porto Seguro, estão representados abaixo:

Temperaturas em Junho em Campinas

Temperaturas em Junho em Campinas

Temperaturas em Junho em Porto Seguro

Temperaturas em Junho em Porto Seguro

Mas onde a Alemanha se excedeu na preparação para o Mundial foi mesmo com a tecnologia. Eles até avisaram o Brasil que estavam preparados, com informação recolhida por 50 estudantes da Universidade de Desporto de Colónia.

Para reunir tanta informação, quem melhor que a SAP AG, uma empresa alemã de referência nas tecnologias? Esta empresa criou especialmente para a selecção alemã uma ferramenta designada “Match Insights”, que junta e analisa quantidades massivas de dados sobre os jogadores. A solução permite nomeadamente a análise de vídeo, com capacidade para registar milhares de parâmetros por segundo. Tais dados permitem depois aos treinadores avaliarem as métricas de desempenho de determinados jogadores, e mesmo interagir com eles através de equipamentos móveis! E quando alguém da Alemanha perguntou como parar Cristiano Ronaldo, a resposta estava lá! O outro grande concorrente, o Messi, esse já andava esgotado desde o início

Como se tudo isto não fosse pouco, a Alemanha utilizou ainda o sistema miCoach da adidas. Tal sistema permitiu controlar completamente os parâmetros dos atletas alemães, nomeadamente velocidade, distância percorrida, aceleração, batimento cardíaco e outros parâmetros vitais dos atletas. O miCoach é assim um sistema de monitorização fisiológico avançado, que inclui um pequeno processador que o atleta transporta durante os treinos.

Como dizemos várias vezes aqui no Poupar Melhor, “you cannot manage what you cannot measure“…