Tamanho das notas

Quando se fala de dinheiro, poucas vezes nos lembramos sobre o tamanho das notas. É porque não é só o valor que distingue uma nota de 5€ de uma de 500€…

Este documento do Banco Central Holandês, dá-nos uma visão diferente sobre as notas que tradicionalmente utilizamos. Por um lado, não há como enganar que as notas são cada vez mais pequenas, e entre outras razões, eles admitem que os menores custos de produção, armazenamento e transporte são responsáveis por essa tendência.

Curiosamente, eles enumeram os requisitos que os utilizadores têm das notas. São pelo menos cinco os requisitos dos vários intervenientes:

  • As notas devem caber dentro das carteiras
  • As notas devem ser fáceis de inserir dentro dos receptores de notas
  • Devem ir de encontro às necessidades dos invisuais
  • Devem impossibilitar a fraude
  • Devem ser de fácil processamento para os Bancos Centrais e intervenientes profissionais

O documento conta algumas histórias interessantes, como o facto de algumas notas de maior denominação do euro não caberem nas carteiras de alguns europeus. A forma como os invisuais discernem as notas é igualmente interessante, como podem ver na imagem abaixo. No quarto requisito, o documento até explica como algumas fraudes são cometidas… O resto do documento tem bastantes mais exemplos interessantes, que não nos enriquecem, mas que nos dão uma visão diferente das notas…

Como os invisuais distinguem as notas

Como os invisuais distinguem as notas

Jogos de computador que podem ser jogados de graça

Msdos - Prince of Persia, 1990

MSDOS – Prince of Persia, 1990

Alguns dos jogos da nossa juventude estão agora disponíveis para jogar gratuitamente no Internet Archive. Estes eram o jogos que jogava quando ainda ninguém jogava computador e me deixaram curioso sobre o poder da programação. Neste momento não há forma de guardar o jogo ou salvar o progresso, mas sempre é melhor do que nada.

Podem jogar os jogos online no emulador JSMESS (Javascript MESS) (compatível com quase todos os browsers internet). Porque se trata de um emulador no browser não esperem o melhor motor de jogo do mundo.

Vou juntar esta entrada do Poupar Melhor à lista de coisas que podemos fazer com as crianças este inverno. Pode ser que consiga explicar aos meus filhos como nem tudo nos jogos é competição com os outros e sim um desafio para nós mesmos.

Rescisão NOS

Já tinha ouvido referências à dificuldade que era rescindir os serviços da NOS (ex-ZON). Por isso, quando decidimos rescindir os serviços de Televisão, Internet e Telefone, estava preparado para aguentar um caminho difícil. Mas não tão difícil como o que se atravessou na minha frente.

Quando subscrevemos um serviço de telecomunicações, é só facilidades! Quando queremos sair, parece uma missão praticamente impossível. Os relatos na Internet são muitos, e começam alegadamente logo que se subscreve um serviço, mesmo dentro dos primeiros 14 dias após a celebração do contrato, no período em que o consumidor pode exercer o direito de livre resolução. Os relatos dos consumidores enredados no processo abundam igualmente na Internet, como se pode ver em diversos exemplos.

Os problemas começaram em Dezembro, quando liguei para o Suporte a Clientes, 16990, para saber o que era necessário fazer para terminar o serviço. E é aí que começa a tentativa de lavagem cerebral, para não desistir do serviço. São minutos e minutos a explicar que não vale a pena tentarem me impingir o que quer que seja!

Nestas fases, é preciso aguentar firme! Eles vão fazer propostas atrás de propostas, mas basicamente é sempre a mesma coisa! E tenham muito cuidado em aceitar o que quer que seja, porque facilmente ficam fidelizados a uma coisa qualquer. No final, quando percebem que quero mesmo sair, dizem-me que tenho que ficar mais um mês, porque já passou o dia 15, e como a facturação é no final do mês, já só posso rescindir em 2015… E é me explicado finalmente como posso rescindir com a NOS.

Nos dias seguintes, recebi mais outro telefonema muito interessante! A dar razão àqueles que sugerem que existe uma forma muito simples de baixar a factura de telecomunicações: ameaçar rescindir os serviços. Acreditem que a proposta que me fizeram era imbatível no mercado…

A rescisão tem que ser feita por escrito, enviando um formulário para a NOS. Juntamente com o formulário deve ser enviado uma cópia do cartão do cidadão. O envio deve ser feito para o endereço da NOS, e no meu caso optei por enviar em correio azul, registado e com aviso de recepção! A morada para onde enviei foi a seguinte:

  • NOS
    Apartado 52001
    1721-501 Lisboa

Por vias das dúvidas, enviei a mesma documentação por fax para o número 211454235. Segundo vários relatos na Internet, este número vai mudando, por forma a não ficar muito conhecido…

Passado uns dias, passei a receber chamadas estranhas. Originavam dos números 211543563 e 220112563, e tinham uma característica comum: atendia-se e do outro lado, nada, desligando-se a chamada passado uns segundos…  Quando eu ligava de volta para o número, estava sempre interrompido… As chamadas eram insistentes, e acabei por descobrir na Internet que os números afinal eram da NOS.

Há pouco mais de uma semana recebi nova chamada. Atendi, e passados uns segundos, entrou um operador em linha, depois de muitos “tô xim” do meu lado. Nem queria acreditar! O operador não sabia porque me estava a ligar! Não sabia, porque só podia saber depois de eu fornecer o número de contribuinte! Mas só percebi essa parte depois de minutos à espera do interlocutor, que afinal estava à minha espera, que eu dissesse o número de contribuinte. Um processo kafkiano, que consiste em ligar para os clientes, sem saber porque se está a ligar, mas que depois do cliente se identificar, poderá dizer porque ligou… Um phisher não faria melhor!

O que se seguiu foi muito desagradável. Passei a gravar a chamada, após autorização do interlocutor. Alguém que estava a pedir uma identificação, que eu não daria. Pedi para falar com o supervisor, mas não me foi passado. Depois de 25 minutos, o operador, com o consentimento do supervisor, com o qual nunca cheguei a falar, desligou-me a chamada, depois de me dizer que seria contactado pela área da Supervisão dentro das 48 horas seguintes. O que não aconteceu.

Dez dias depois, recebi mais uma chamada da NOS. Estava tranquilo, já tinha recebido o aviso de recepção. Começaram por apresentar-se como interessados em avaliar a minha satisfação relativamente aos últimos contactos. Depois de perceberem que a minha insatisfação era muito grande, voltaram à estratégia de tentarem vender-me qualquer coisa. Já não eram da qualidade, eram novamente comerciais. Depois tentaram perceber porque tinha pedido a rescisão, mas rapidamente perceberam que não ia dar explicações. Passaram à fase seguinte, que foi a de dizer que não tinha enviado toda a documentação…

Grande lata! Voltei a certificar-me que autorizavam a gravação da chamada, e comecei a gravar o Take II. E tomei nota mental para o fazer sempre que me voltassem a ligar no futuro. Não se esqueçam todavia que só podem gravar a chamada quando exista o consentimento prévio e expresso dos utilizadores. Porque aceder às gravações efectuadas pelas empresas a nós, é uma missão que já tentei várias vezes, mas que deve raiar o limite da impossibilidade.

Tive que pedir para falar novamente com o supervisor. Desta vez foi logo à primeira! E o supervisor lá me explicou que tenho que entregar o que falta, mas que tenho 30 dias para o fazer, mas sem prejudicar a data em que submeti o pedido original, o tal antes de 15 de Janeiro. Ao contrário do interlocutor inicial, que referia que tinha que submeter o pedido outra vez, como deve ser, deixando implicitamente que teria de pagar mais uma mensalidade…

Enfim, desta vez vou mesmo ir a uma loja NOS. Vou perder mais do meu precioso tempo. Infelizmente, quando nos queixamos da falta de produtividade deste País, este é apenas mais um grande exemplo! Se calhar, era por aí que devia ter começado…

 

Dashboard de saúde com o Apple Health

Apple Health

Apple Health

Quando saiu o novo iOS 8 para o iPhone, o Health foi bastante publicitado, mas não haviam muitas aplicações que estivessem a usar as suas capacidades. A Apple apercebeu-se que os seus utilizadores estavam de alguma forma preocupados em manter registos das suas evoluções no peso, corrida e outras, mas que esta informação se encontrava dispersa por várias aplicações, o que fazia com que o utilizador ficasse dependente delas.

Quando uma aplicação melhor aparecia, era quase impossível pegar em todos os dados recolhidos numa aplicação e passá-los para a outra. Os criadores de aplicações não tinham nenhum incentivo para facilitar a passagem da informação de um lado para o outro e o utilizador também não tinha nada com que o incentivar.

A criação de um dashboard nativo no iOS fez com que os utilizadores dessem preferência às aplicações que partilhavam a informação recolhida por aplicações que contam os nossos passos ou obtém os dados da pressão arterial com esse dashboard. O utilizador fica com um único sitio para consultar os seus dados: um Dashboard de saúde. E vocês sabem como gostamos de um Dashboard aqui no Poupar Melhor.

Recentemente comecei a usar o Health do meu iPhone. Os dados podem ser registados diretamente no próprio Health, mas o ideal é usar as aplicações que transmitem para lá os dados por estarem otimizadas para a recolha de determinados dados. Para registar as calorias que consumo comecei a usar uma aplicação insultuosa chamada Carrot Hunger, parte do conjunto de apps de que já vos tinha falado aqui. Tenho também uma app que, com a ajuda da câmara e flash conseguem contar o número de batimentos por minuto na ponta do meu dedo.

O resultado da minha utilização do Health na última semana está à vista na imagem. As notícias para mim não são boas. Tenho demasiadas calorias e pouco exercício. O melhor é começar a correr para queimar calorias e reduzir o colesterol.

Imprimir notas

A impressão de notas é um tema que raramente é publicamente discutido. Por isso, não percebo muito do assunto. Mas, com o recente avanço do BCE na compra de dívida, em valores astronómicos, resolvi fazer alguma investigação por conta própria. Muita da leitura que vi por blogs, essencialmente políticos e económicos, vai no sentido de que isto corresponde basicamente à impressão de moeda, ie, de notas…

Essa ideia foi talvez sumarizada da forma mais surpreendente por Carvalho da Silva, no JN, que acha que descobri a solução com “Simples de mais para ser verdade?“. E a solução seria o BCE imprimir largas somas de dinheiro e distribuí-lo ao público“, e já agora depositá-lo directamente nas contas bancárias de todos os cidadãos!

Para termos ideia da dimensão do dinheiro que vai ser “criado”, partamos da noção que uma nota do euro terá aproximadamente 0.11 mm de espessura. Não consegui obter o valor exacto, pelo que vou utilizar esse valor. Nas notas usuais de 20€, 1 trilião de euros representa 5500 Kms de notas, sensivelmente a distância de Lisboa a Nova Iorque! Em notas de 500€, representa um conjunto destas notas alinhadas entre Lisboa e Aveiro…

A ideia de que isto resolve algum problema deixa-me siderado! Existem inúmeros exemplos históricos de como imprimir notas não resolve problema nenhum, sendo que me vem imediatamente à memória o exemplo do Zimbabwe. A espiral de impressão só parou quando se atingiu uma nota com 14 zeros. Reparem que se esta nota fosse expressa em euros, dava para fazer 100 planos como os do BCE, o que nos dá uma ideia de que ainda estamos muito longe do Zimbabwe:

nota triliao zimbabwe

Uma nota com muitos zeros…

O problema da impressão de notas tem uma expressão associada em inglês que dá pelo nome de seigniorage. Curiosamente, a expressão é explicada por um professor universitário americano, Jeffrey A. Frankel, com uma experiência vivida há muitos anos em Portugal:

  • It all started at the mid-point of my graduate studies at MIT. In 1976, Dick Eckaus and our other professors packed five of us — Krugman, three other classmates, and me — off to Portugal for a summer. I remember thinking, on the plane going over, “what do we know about advising a government?” The man we were to work for, Jose da Silva Lopes, Governor of the Central Bank, apparently thought the same thing, when we arrived in Lisbon and he saw how young we were. Eventually we proved, both to ourselves and to our host country, that we had something to offer after all.
    One story from that first experience at advising long ago stands me in good stead, every year when I need to explain to my students the concept of seignorage. We were living in hotels. At the end of the first month, we had to pay the bill. But for bureaucratic reasons, the wire transfers we were expecting had not yet come through. We apologetically explained our problem to the Governor. Responding “no problem,” he summoned an aide who took us to the basement where the printing presses were turning out the national currency. They counted out enough escudos to tide each of us over. I don’t know if the Bank of Portugal ran the printing presses for an extra few seconds that day; if so, it was truly seignorage.

Planeta mais Verde, mas não todo…

Fala-se muito de sustentabilidade nos dias que correm, mas uma das coisas que me faz mais confusão é o pouco esforço posto em medidas concretas! Fala-se muito, cobram-se muitos impostos, nomeadamente os novos associados à Fiscalidade Verde, mas acção, muito pouca…

No outro dia li com muito interesse um artigo que falava de um dos grandes desafios dos Chineses, a plantação de uma barreira de 100 mil milhões de árvores, que os proteja da poeira oriunda dos desertos do norte da China. E que talvez ajude também a combater a poluição. A boa notícia do artigo é que a estratégia parece estar a funcionar…

Ávido por saber um pouco mais sobre Portugal, deparei-me com esta notícia de uma organização científica da Austrália, que alegadamente refere que os desertos do Planeta estão a ficar mais verdes, imagine-se, devido a um aumento do dióxido de carbono na atmosfera. O aumento de vegetação entre 1982 e 2010 foi segundo o estudo de 11%. Mas eu cheguei ao artigo pela imagem, que se reproduz parcialmente abaixo para a Europa (original, de grandes dimensões, acessível neste link), e onde se constata que é no sul do País e de Espanha, bem como no norte de Marrocos, que mais vegetação está a desparecer…

Por isso, uma das minhas tarefas deste ano, para além de contribuir involuntariamente para a Fiscalidade Verde, vai ser fazer algo mais substancial, que é plantar umas árvores, e tratar delas, para que este pedacinho do planeta fique mais Verde…

variacao vegetacao 1982 2010

Variação de vegetação entre 1982 e 2010