Previsões do IPMA na linha da frente!

Este fim de semana foi um bocado atípico. Sabia pelas previsões de tempo que vinha aí a chuva. Nesse sentido, preparei-me fazendo limpezas e mais algumas coisas de prevenção. As previsões que vira durante o Domingo, levantavam-me todavia uma grande dúvida: segundo o IPMA, a chuva ia começar na madrugada de segunda-feira, e ía ser forte durante essa mesma madrugada, chovendo durante o resto do dia. Mas, segundo o site do IST, site que utilizo em vários contextos, a chuva só começaria mesmo ao final do dia de segunda-feira!?

Não liguei muito ao assunto. Afinal, estava numa de prevenção pessoal.

Ontem, de manhã, quando acordo, fiquei surpreendido em ver o chão seco! Aliás, algo que tinha que fazer antes de ir para o emprego, ficou logo com planeamento confuso. Mas, a vida prosseguiu…

A caminho do emprego, quando ouço as notícias, e vejo as desgraças associadas aos fogos florestais, e ao facto de eles se manterem, fez-me associar que talvez também não tivesse chovido no resto do País.

Uma consulta rápida ao telemóvel permitiu-me constatar que a página do IPMA do dia anterior não desaparecera ainda:

Previsão do IPMA ao final de Domingo

A pensar nas previsões do IST, tirei também logo um printscreen da previsão da manhã. Como podem ver, a previsão então era que começasse a chover ao início da tarde:

Previsão do IPMA ao início da manhã de ontem

Não tardou muito para que a chuva levasse outro chuto, neste caso de 6 horas:

Previsão do IPMA a meio da manhã de ontem

Entretanto, lembrei-me de ir ver se estava efetivamente a chover, ou não. As imagens do radar do IPMA diziam que sim:

Quando de seguida fui ver quantos mm de chuva tinha efetivamente chovido, qual não é a minha surpresa com a quase totalidade ausência de chuva???

Chove, não chove, talvez chova? Enfim, há muito a investigar neste IPMA.

Não é preciso pesquisar muito na Internet para descobrir que estas previsões são possíveis porque o IPMA adquiriu em 2014 o supercomputador P7, que custou uns módicos 800.000,00 euros, e que produz estas previsões que a Ministra Assunção Cristas na altura dizia colocarem o IPMA “na linha da frente”…  As mesmas previsões que permitiram induziram ao Primeiro Ministro a dizer ante-ontem, dia 16 de outubro, ( pelas 02:30 da madrugada que “as previsões da evolução meteorológica podem permitir alguma esperança nas zonas do litoral”. Foi o que se viu… As primeiras chuvas só chegaram ontem pouco antes das 22 horas.

(Revisto dia 18 de outubro de 2017)

Energia consumida a minar bitcoins

Os bitcoins são um tema a que nos referimos aqui no Poupar Melhor há já uns anos. Num primeiro artigo abordamos uma calculadora de retorno de investimento para Bitcoin, e noutro abordamos os perigos associados à utilização do Bitcoin. Muita coisa mudou desde então…

Ainda em 2013, o site Blockchain calculou que minar Bitcoins a nível mundial consumiria qualquer coisa como quase um GWh de energia por dia, o que dará uma potência de energia na ordem dos 40 MW! Um autor da Bloomberg já então dizia tratar-se de um autêntico desastre amibiental

Há cerca de uma semana, um artigo do IEEE chamou-me a atenção para as evoluções neste domínio. O artigo é muito interessante porque contém um conjunto de ligações e informação muito úteis. Como a imagem seguinte, que relaciona os custos de energia, receitas, e tecnologias usadas na minagem de bitcoins:

Bitcoins, custos, receitas, & tecnologias utilizadas

O artigo revela que a potência utilizada já irá nos 500 MW, cerca de 12 vezes mais que há uns anos atrás, apesar do aumento exponencial de eficiência, conforme é visível na imagem acima. Para se ter uma noção do consumo, representará cerca de 1/8 da energia consumida durante os períodos de vazio de um fim de semana em todo Portugal!

É claro que muita desta minagem ocorre em locais onde o preço da electricidade é baixo, pelo que esqueçam fazê-lo em Portugal… E esqueçam qualquer ideia de fazê-lo com energia solar. A escala da minagem é avassaladora. Vejam este datacenter da China, que sozinho necessitará de uma potência até uns 135 MW de electricidade. A loucura é tão grande que aviões Jumbo são utilizados pelos “mineiros” para transportar os últimos avanços da tecnologia. E embora a notícia seja especificamente para o Ethereum, na verdade as diferenças para com os Bitcoins não será muito diferente… Se lerem tudo em detalhe, ficarão sem qualquer motivação que pudessem ter para minar…

Quanto CO2 de fogos forestais em Portugal/2017 ?

No final de Julho, neste artigo, levantara a questão de quanto CO2 terá sido emitido pelos fogos florestais em Portugal? É uma pergunta digna do Frei João sem Cuidados, mas à qual tentarei dar uma primeira resposta.

Vamos primeiro a alguns pontos:

  1. A fase Charlie terminou este ano com mais de 230 mil hectares de área ardida.
  2. Segundo contas da Agência Portuguesa do Ambiente, os 128 mil hectares de mato e floresta que arderam em Portugal, até 31 de Julho, foram responsáveis pela emissão de 2,9 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente.
  3. Segundo contas da Quercus em 2010, 70 mil hectares de floresta e mato ardidos em parte de 2010 representaram a emissão para a atmosfera de um milhão de toneladas de CO2 equivalente, o mesmo que 29 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto.
  4. De acordo com dados da Pordata, Portugal emitiu em 2014 qualquer coisa como 59.5 megatoneladas de dióxido de carbono.
  5. Segundo dados da Brisa, o Tráfego Médio Diário na A1 é de 27517 automóveis.

Depois destes considerandos, é fácil chegar a mais alguns pontos:

  1. Pelo ponto 1 e ponto 2, os 230 mil hectares de área ardida terão correspondido a (230/128)x2.9 = 5.21 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente.
  2. Pelo ponto 6 e ponto 4, as emissões de CO2 dos fogos florestais aproximar-se-ão este ano de 10% do total das emissões do País.
  3. Pelo ponto 3 e ponto 6, o CO2 resultante dos fogos florestais corresponderá a 5.21×29 = 151 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto.
  4. Pelo ponto 8 e ponto 5, as emissões de CO2 dos fogos florestais deste ano em Portugal correspondem às emissões dos automóveis da A1 durante 151M/(27517×365) = 15 anos

Da próxima vez que ouvir alguém a queixar-se das emissões de CO2, ou das emissões de CO2 dos automóveis, vou tentar lembrar-me quão mais importante não seria estarmos a cuidar da nossa floresta…

Consumo de electricidade de um sistema AQS

O consumo de electricidade de um sistema de AQS (Água Quente Solar), com circulação forçada, habitualmente é tido como sendo negligente. A verdade é que não será, porque tem um pequeno motor eléctrico, que faz circular o fluido entre os paineis e o acumulador interior (cilindro), e que permite efetivamente aquecer a água. Nunca tive a oportunidade de monitorizar um, mas tal possibilidade surgiu recentemente.

Serão várias as variáveis que contribuirão para uma variação do consumo. No Verão, o consumo será menor, porque os paineis aquecem mais rapidamente, e logo o motor funcionará durante menos tempo. O mesmo variará possivelmente em função das nuvens que se atravessem no céu. No Inverno, poderá nem sequer chegar a consumir, se a temperatura do painel não for suficiente para aquecer a água no cilindro. Quanto maior for o consumo de água quente, maior será a quantidade de água a aquecer, e logo mais tempo funcionará o motor. A distância entre os paineis e o cilindro também terá o seu impacto, dado que para maiores distâncias, maiores serão as perdas térmicas no circuito, e logo maior será o tempo durante o qual o motor funcionará. E estas são apenas as que me lembro.

Nas duas experiências seguintes, o sistema AQS envolve dois paineis no telhado, sendo o sistema com circulação forçado ligado a um cilindro de aproximadamente 300 litros. A configuração por defeito faz com que o sistema aqueça a água do cilindro até 60ºC. Em ambos os casos, a monitorização do consumo de electricidade foi efetuada recorrendo-se a um dispositivo EOT. O gráfico é efetuado apenas pouco depois das 10 horas, dado verificar-se um consumo grande antes desse período, o que distorce o gráfico. Depois de terminado o aquecimento, verifica-se que o consumo restante da cas está ligeiramente acima dos 30Wh.

No primeiro caso, verificamos o comportamento sem nenhum consumo de água quente. Durante a noite verificam-se perdas de calor no cilindro, pelo que na manhã seguinte, e logo que a incidência de raios solares permita o aquecimento dos paineis, o sistema volta a tentar colocar a temperatura do cilindro nos 60ºC. Verificamos que se verificam intervalos de consumo com uma potência associada de cerca de 10 a 15 W, um consumo extremamente baixo. A evolução é intervalada com períodos sem consumo, períodos esses que vão sendo mais curtos à medida que a manhã avança. Tal comportamento explica-se, em minha opinião, pelo funcionamento dos painéis: quando o Sol está mais baixo, o aquecimento dos painéis é mais lento, pelo que demora mais tempo a atingir a temperatura a partir da qual se começa a transferir o calor dos painéis para o depósito, e que neste caso está definido em +5ºC. Por volta das 12:30, os painéis conseguiram que a temperatura da água do cilindro voltasse aos 60ºC:

Consumo sistema solar sem actividade

No segundo caso, verificamos o consumo adicional resultante dum duche, em que a temperatura de água, medida no topo do cilindro, resultou numa descida da temperatura da água de 60º para 55º, ao final da tarde anterior. Note-se que o comportamento do consumo, visível abaixo, não é muito distante daquele que foi observado no gráfico acima. Os intervalos de consumo são mais próximos, pelo menos numa fase inicial da manhã. Note-se que antes das 10 da manhã se verificaram provavelmente mais consumos, até porque partindo de uma temperatura inferior da água no depósito, a energia do Sol que incide nos painéis pode começar a aquecer essa mesma água mais cedo. Na verdade, atinge valores de consumo mais elevados, mas por outro lado consegue chegar aos 60ºC mais cedo.

Consumo sistema solar depois de um chuveiro

Como é claro pelos dados, esta primeira experiência não dissipa todas as dúvidas que tinha. Mas há uma que fica obviamente definida, que é a dos sistemas de AQS com circuito fechado consumirem alguma electricidade, mesmo quando não se verifica consumo de água quente. Felizmente, como se pode ver, mesmo quando há consumo de água quente, o consumo de electricidade é muito baixo. Estimo que nestes casos esteja próximo de 5 Wh, média por cada uma das três horas. Tal significa um consumo de cerca de 15 Wh por dia, só para repor a temperatura. Tal significa um consumo de cerca de 450 Wh durante um mês, o que corresponde a cerca de dez cêntimos de euro de electricidade por mês… Quanto ao acréscimo para repor a temperatura resultante do duche, o consumo, pelas minhas contas, é ainda menor, e dentro de um intervalo que considero susceptível de erro. Terei que tentar melhorar a precisão, para chegar a uma conclusão mais acertada…

Nota: O artigo foi alterado para correção de um erro: onde antes se lia 150Wh, passou a estar 450 Wh, bem como se corrigiu o correspondente valor financeiro.

Temperatura da água do mar

A temperatura da água do mar é um tema recorrente nesta altura do ano, sobretudo porque as queixas abundam… Da minha experiência no fim de semana passado, e do que vou ouvindo, a coisa está fria… Parece que é para repetir as temperaturas de há dois anos atrás

Neste artigo vamos deixar os apontadores que temos referenciado no passado, e onde podem ver com mais detalhe a evolução da temperatura da água do mar. A temperatura da água do mar em Portugal pode ser obtida a partir desta página do IPMA, e como podem ver esta previsão para amanhã, as águas frias abundam em toda a costa oeste portuguesa, sendo um pouco mais quentinhas no Algarve:

Temperatura água mar em Portugal

O Instituto Hidrográfico também disponibiliza informação sobre a temperatura da água do mar em algumas localizações da costa Portuguesa. O exemplo abaixo é relativo a Sines, e evidencia como no último mês a temperatura da água do mar tem estado como na Primavera, tendo afundado ainda mais nas últimas horas, para valores dignos do Inverno:

Temperatura água mar em Sines

Em termos da Península Ibérica, o site do AEMET providencia dados que abrangem não só a realidade Portuguesa, mas também toda a costa espanhola. Como podem ver, toda a zona em redor de Benidorm está uma autêntica “sopa”:

Temperatura água mar na Península Ibérica

Quem tem a possibilidade de se deslocar para o Mediterrâneo pode encontrar águas bem quentinhas em vários locais. No site da SOCIB podem encontrar um mapa de temperaturas para grande parte do Mediterrâneo. Para obter a temperatura verdadeira, há que fazer a conversao entre Kelvin e Celsius, ie. subtrair 273.15 para obter o valor da temperatura em graus Celsius. Ao largo da Tunisia estao cerca de 31ºC:

Temperatura água mar no mediterrâneo

Em termos mundiais, o site que referimos neste artigo, permite-nos ver a temperatura da água do mar no nosso planeta Terra. Só dá as temperaturas ao largo das praias, mas mesmo assim dá para perceber que as temperaturas mais quentinhas neste momento serão no Golfo Pérsico, superiores a 35ºC …

Temperatura água mar no planeta

História da Floresta Portuguesa

Muito se tem falado nas últimas semanas sobre a floresta portuguesa e os fogos que a afectam. Muita coisa se tem referido, mas falta claramente uma perspectiva histórica. Olhando por exemplo para a página da Floresta Portuguesa no Wikipedia, verifica-se que as referências históricas praticamente não existem!

Infelizmente, a memória hoje em dia é muito curta! Quando pergunto a qualquer pessoa como eram os montes há uma centena, duas centenas de anos, quase ninguém acerta! Há cem anos, a floresta em Portugal era diminuta. Os matos também não eram muitos. Por isso não ardiam os montes…

A história da floresta portuguesa é muito interessante, mas muito deprimente. Um dos documentos resumo mais interessantes é esta “Perspectiva Histórica sobre a Floresta Portuguesa e a sua Defesa contra Incêndios“. Apesar de ter mais de dez anos, dele retirei alguns extractos:

  • Em 1849, José Maria Grande registava o “arboricídio” das herdades vizinhas do Tejo, onde se cortava o azinho e sobro para carvão.
  • Em 1875, a área arborizada equivalia a 7% do território, com cerca de 670.000ha, compostos por 370.000ha de montados, 210.000ha de pinhais, 50.000ha de soutos e carvalhais.
  • de 1888 a 1938 teriam sido arborizados apenas 21082 ha (Mendonça 1961).
  • Em 1965, existiam cerca de 2.969.000 ha arborizados, correspondentes a 33% do território do Continente
  • De facto, é neste período que a área arborizada atinge o seu máximo, com uns expressivos 3.3 milhões ha. que se reconhecia serem em grande parte sub-lotados, de baixo valor económico, expostos a um risco extremo e com crescentes problemas fitossanitários (Inventário Florestal Nacional, 1995).

Há, na verdade, bastantes documentos sobre a floresta portuguesa na Internet, mas de uma forma geral, bastante datados. E difíceis de encontrar! De seguida fica uma lista, com um nome indicativo para cada um, para que cada um possa ter uma posição mais fundamentada na vertente histórica. Se souberem de mais alguns verdadeiramente interessantes e publicamente acessíveis, digam, para juntar à lista: