Leilão da DECO compensa?

Campanha anterior da Endesa

Campanha anterior da Endesa

Ontem, em conferência de imprensa, a DECO anunciou que o resultado do leilão, que temos vindo a acompanhar, se cifrou numa oferta da Endesa, com 5% de desconto. Esse desconto é feito tendo por base as tarifas transitórias actuais. Para quem tem bi-horário, como é o meu caso, o desconto é de apenas 1.2%. Segundo a notícia que circulou, a poupança anual será entre 1 euro e 79 euros. Para os clientes com potências de 3.45 kVA, como é o meu caso, a DECO estima uma poupança anual de 15 euros.

Este desconto de 5% mais não é que a re-edição da campanha que a Endesa lançara aqui há uns anos, conforme imagem acima, e que podem confirmar neste link, correspondente ao arquivo do site em finais de 2010. Exigia na altura apenas a domicialiação bancária. Segundo o Museu da Internet, a oferta estava em vigor ainda há um ano atrás.

A análise rápida dos factos, do meu ponto de vista, revela que tendo eu a tarifa bi-horária, o desconto de 1.2% é muito pouco. Se tivesse a tarifa simples, e considerando que gastamos cerca de 480 euros por ano em electricidade, então os 5% seriam mais que os 15 euros estimados pela DECO.

O que levanta a questão do que são exactamente estes 5%? Segundo esta notícia do Dinheiro Vivo, para quem  tem potências de 1.15 e 2.3 kVA, o desconto será efectuado na potência, e para os restantes será efectuado no consumo.

Outro aspecto está relacionado com a devolução do dinheiro da comissão, para os associados da DECO. No meu caso, isso não é importante, porque há mais de uma dezena de anos deixei de ser associado. Todavia, lendo as notícias, descobre-se que a devolução apenas ocorrerá em Novembro. O que acontecerá se entretanto se mudar? Se isto não é uma fidelização, o que é?

Noutra perspectiva, segundo esta notícia do Público, 34% dos consumidores que se inscreveram no leilão tem tarifa bi-horária regulada ou liberalizada. Ou seja, ganharão muito pouco, ou ver-se-ão mesmo impossibilitados de aceitar esta oferta, por estarem certamente fidelizados no mercado liberalizado, conforme analisamos aqui. Adicionalmente, mais 22% dos 66% que têm tarifa simples, estão também já no mercado liberalizado…

Olhando para as tarifas actuais, cuja referência para o documento no site da ERSE podem encontrar neste artigo que efectuamos, e comparadas com as tarifas do mercado regulado, podemos comparar os valores. Considerando apenas a vertente do custo do kWh, sem valores de IVA (para comparação com documento da ERSE), e sendo o seu custo de 0.1405€/kWh no mercado regulado, um desconto de 5% traduz-se num valor de 0.1335 €/kWh.

Na verdade, nenhum tarifário regista actualmente um custo por kWh tão baixo. O que mais se aproxima é o GALP On – Plano Confort, com um custo de 0.1377 €/kWh, mas este tarifário obriga à subscrição obrigatória de um serviço de assistência. A  maioria dos restantes tem a tarifa do mercado regulado.

Nestas condições, as quais terão que ser confirmadas por escrito pela DECO, é justo afirmar que a tarifa proposta pela Endesa é competitiva. Vamos esperar pelo detalhe das condições, e também pela resposta dos restantes comercializadores, que espero, conforme referi aqui. No meu caso, e no de muitos, porque tenho bi-horário, há ainda muitas dúvidas. Que se somam àquelas que referimos neste artigo. Mas se tivesse tarifário simples, então mudaria para a Endesa.

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  1. É tudo um esquema para nos ROUBAR. Vai ser bem pior do que aconteceu com a liberalização dos Combustiveis e Telecomunicações. Os carteis do Mexia e Companhia agradecem.

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