Mais dívida é bom?

Mais dívida é bom?

Mais dívida é bom?

Num dia em que Portugal vai pedir mais dinheiro emprestado, vale a pena meditar sobre o significado de termos mais dívida.

A semana passada, o Estado Português foi aos Mercados pedir emprestado mais 3.25 mil milhões de euros. “Correu muito bem“, nas palavras da Ministra das Finanças, e foi “muito bem conseguida“, nas palavras do Primeiro Ministro. O problema do que aconteceu na semana passada, e que se repete hoje, é que a dívida de Portugal se tornou ainda maior, e para mim isso é tudo menos uma boa notícia!

E não é uma boa notícia porque o Estado pagou a semana passada uma taxa a cinco anos de 4.657%. Não é preciso perceber muito de Economia para saber que estas taxas são incomportáveis! Há quase um ano, Portugal havia feito uma outra emissão a cinco anos com uma taxa de juro de 4.891%, o que significa que a esta velocidade, a taxa vai demorar muito a descer. Isto porque nunca se sabe quando será a próxima irrevogabilidade…

A coisa é má quando se compara com países como a Irlanda e Espanha, que também emitiram dívida na semana passada. A Espanha colocou a cinco anos praticamente a mesma quantidade que nós, mas só pagaram 2.382%! A Irlanda, essa conseguiu uma taxa de 3.54%, mas a dez anos.

E correu mal também porque ainda há dois meses se teorizava sobre a taxa dos 4.5%. E a referência que o Ministro dos Negócios Estrangeiros fazia era à da taxa de juro das Obrigações a 10 anos, que sabemos está ainda muito acima desse valor. E a associação feita foi a um segundo resgate, não a um programa cautelar, quanto menos a uma saída limpa, cujo conceito só se conheceu quando a Irlanda anunciou a dita dias depois.

Não é só o Governo que fica mal na fotografia. Alguma Esquerda, que defendia que a Troika cobrava juros usurários, mas que depois soube que até era uma taxa inferior à taxa implícita de toda a dívida portuguesa, devia agora admitir o erro. Se a troika empresta a um valor muito inferior ao de Mercado, eu pessoalmente acho que se devia manter o relacionamento com os nossos amigos da Troika…

O principal partido da oposição também não gostou de mais este regresso aos Mercados. Na verdade, o líder do PS agora anseia por uma saída limpa à Irlandesa, quando há quase exactamente seis meses defendia o resgate como inevitável, e há apenas dois meses assumia as suas responsabilidades perante um programa cautelar. Há quem viva em contra-ciclo, como há menos de quatro meses, em que Portugal pagou quase 6 mil milhões de euros aos credores, e o líder do principal partido da oposição o considerou um “dia negro”?

Para mim, este conjunto de políticos não serviriam sequer para gerir a minha casa! Só ficam felizes quando nos endividam mais a todos nós! Poupar é um termo que não é levado a sério. Cortar nas despesas é algo que a grande maioria dos Portugueses nem sequer percebe, e eles não nos querem explicar, porque não é suposto ver-se os gráficos onde Portugal gasta o seu dinheiro. O que o Estado sabe fazer melhor é aumentar as suas receitas para tentar pagar uma dívida cada vez maior, e que cresceu a semana passada mais 3.25 mil milhões de euros…

O pior é quando olhamos para o que os estrangeiros dizem de nós. As agências de ratings são vistas como inimigas, mas quando olho para as suas análises, não percebo as críticas. E análises aprofundadas de analistas exteriores dão uma visão realista do que nos está a acontecer, e quando olhamos para os documentos que produzem, embora enviesados por uma posição curta na dívida Portuguesa, não conseguimos apontar erros!

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  1. Maria Irene Trovão Ferro

    Vergonhoso

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