Desconto em cartão Continente

Na semana passada, a DECO deu a conhecer quais os supermercados mais baratos do País. A análise não me entusiasmou, até porque o Continente onde faço habitualmente as compras, um dos maiores na zona de Lisboa, não aparece na análise. E fazer as contas em função de uma base 100, e em que o detalhe não é acessível, também não ajuda…

O estudo também não considera os descontos que as várias cadeias oferecem, de uma forma ou de outra. Os leitores saberão que eu sou um cliente habitual do Continente, onde me especializei a tirar partido das várias promoções, incluindo as cruzadas com outras marcas. Da última vez que fiz as contas, verifiquei um desconto efectivo de 23.85%.

Uma das confusões que todavia envolve a utilização do cartão Continente diz respeito ao valor do desconto efectivo. Neste artigo evidenciamos como um desconto de 50% se tornará em 33%, quando for efectivamente rebatido na compra seguinte. Uma percentagem maior poderia ser obtida se apenas comprassemos artigos com 50% de promoção. Ainda assim, a convergência para um desconto de 50% seria lento, conforme se pode observar na imagem seguinte, em que o eixo dos xx representa cada iteracção de compra:

Percentagem de desconto

Percentagem de desconto comprando sucessivamente 100€ de produtos com 50% desconto

A escala da percentagem de desconto é a da esquerda. Na primeira compra de 100€, paga 100€ e fica com 50€ em cartão. Na segunda compra de 100€, paga 50€ mais os 50€ do cartão, e fica com outros 50€ em cartão. Pagou até aí 150€, em 200€ de produtos, pelo que acumulou um desconto de 25%. À medida que vai comprando produtos, a curva de descontos converge muito lentamente para os 50%…

Aqueles que não gostam da matemática, quando vêem a argumentação acima, passam para outra fase de negação. Admitem que, os 50€ recebidos em cartão, será a quantia a gastar na promoção seguinte de 50%. Assim, compram sucessivamente produtos em metade do valor da compra anterior. O gráfico correspondente, nas mesmas escalas do anterior, é o seguinte:

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Percentagem de desconto reinvestindo apenas o valor do cartão em produtos com 50% desconto

A convergência faz-se efectivamente de forma muito mais rápida para os 50%, mas na quarta compra já não poderá comprar mais de 12.50€ de produtos em desconto… E obviamente, nunca chegará aos 200€ de compras, porque o desconto nunca será exactamente de 50%!

Estes dois gráficos evidenciam todavia a vantagem da fidelização. Quantas mais vezes fizermos compras no Continente (ou noutro com esquema semelhante), maior tenderá a ser a percentagem de desconto… Que é precisamente o que eles querem! Todavia, temos que andar permanentemente alertas, até porque como vimos neste exemplo, há promoções para todos os gostos.

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  1. O problema deste sistema, não é a matemática, mas sim o facto de não ser prático, pois temos que fazer as compras em função dos talões que temos e outros pormenores.
    Ainda prefiro ir ao Pingo Doce, ou ao Lidl, porque não é necessário talões, chegar, comprar e ir embora. Porquê complicar o que era suposto ser simples?

  2. A parte prática pode ser realmente um pouco chata. Mas também divertida. Cada vez que abasteço na GALP, pareço um puto a trocar cromos…
    Eu compro essencialmente no Continente, porque é o mais próximo… No Lidl também, que ainda é mais próximo. E tenho comparado (aí uma vez por ano) como vão as diferenças com o Pingo Doce e Jumbo. É quase tudo igual ao litro, embora as promoções sejam naturalmente variáveis. Acontece que, para mim, o factor tempo é essencial, e por isso não ando a perder o meu tempo a passear pelos vários hipermercados.
    Direi que me especializei no “esquema” do Continente. Como aqueles jogadores que dominam os Casinos. Como referi no podcast, ainda me acontece como aqueles jogadores que estão barrados de entrar nos Casinos…

  3. Finalmente uma explicação clara e acessível sobre a percentagem de desconto no continente.. Agora só não entende quem não quer!!

  4. Continuo sem engolir.Se compro 100, fico com 50 em cartão, paguei 100 mas fico com um plafond para gastar.O desconto nesse produto é sempre 50%.

    Se comprar uns sapatos de 100 € com 50 % de desconto,e pagara com uma nota de 100 € , recebo 50 € de troco.

    A única diferença que vejo é que não vou ter de gastar os 50€ nessa sapataria, ao contrário do que acontece com cartão.O desconto no produto em ambos os casos é sempre 50%.

    Parabéns pelo blog!

  5. João,
    Vamos partir de uma premissa: enquanto o dinheiro está no cartão, ele não é seu. Ainda é do Belmiro, neste caso. Na primeira iteracção, você comprou 100 e gastou 100. A verdade é que ainda não ganhou nada. Se voltar ao Continente, e gastar os 50 que tem no cartão, então comprou 150 de produtos, e gastou 100. Um desconto de 33%. Esse valor pode ser maximizado com as estratégias acima, mas rapidamente perceberá que os 50% não são verdadeiramente 50%. Ou que mesmo que convirja para os 50% rapidamente, tornar-se-á ineficiente.
    Ainda assim, 33% é melhor que nada!

  6. João Miranda Santos

    A matemática está muito bem feita mas mal aplicada. O continente promete um vasos de desconto de 50% num determinado produto a utilizar numa compra futura. Não é prometido um desconto efectivo num aglomerado de compras. Para mim, que só compro coisas com desconto que eu iria comprar mesmo que estivessem sem desconto e que faço regularmente compras no continente, o desconto prometido num determinado produto é efectivado na compra seguinte que eu iria fazer de qualquer forma. Ou seja, no aglomerado de duas compras sucessivas eu tenho uma redução de despesa efectiva correspondente ao desconto anunciado no produto em causa.

  7. João,
    Se está mal aplicada, diga-nos então com exemplo de números o seu caso; pode até dar um gráfico diferente daqueles acima!

  8. Estive a ver o outro artigo que referencia e nos comentários dele já lhe explicam porque é que a aplicação da matemática está mal feita. Mas eu posso dar um exemplo para explicar o que quero dizer.
    No dia 1 eu eu vou ao continente comprar detergente para a roupa. O detergente custa 14€ mas está com 50% de desconto em cartão. Ou seja, o continente promete um desconto de 7€. Eu pago a minha compra correspondendo a uma despesa de 14€.
    No dia 2 eu volto ao continente para comprar leite. Escolho 10 litros de leite a 0,7€ cada litro, num total de 7€. Quando vou a pagar na caixa desconto os 7€ que tenho no saldo do cartão continente. A despesa total paga no dia 2 é de 0€.
    Fazendo o aglomerado destas duas compras, tenho:
    Total a gastar se não houvesse desconto: 21€
    Total pago: 14€
    Diferença entre o custo sem desconto e com desconto: 21-14 = 7€
    Desconto prometido pelo continente: 14×50% = 7€.

    Como se conclui imediatamente o desconto prometido é efectivado na compra seguinte (que terá de ser no mínimo no dia seguinte).

    O A. Sousa está a cometer o erro flagrante de confundir um desconto prometido num determinado produto com um desconto num total de compras. É certo que a fidelização é necessária mas apenas em n+1 compras.

  9. João,
    Então você compra 21 euros de produtos, paga 14, e acha que tem um desconto de 50%?
    Veja lá se os 7 euros que poupou não é um terço do volume de compras, como referi no outro artigo? E não me venha com prometidos, porque de promessas está o Mundo cheio. O que você conseguiu neste exercício foi um desconto efectivo de 33,3(3)%! E teve que lá voltar!!!
    Se tem dúvidas, faça o seguinte exercício: uma outra cadeia de hipermercados vende-lhe o detergente a 9.33€ e 10 litros de leite a 4.67€. Compraria no Continente ou nesse outro hipermercado?

  10. Não podemos estar a discutir quando não estamos a falar da mesma coisa!
    Eu e o Continente estamos a falar de 50% de desconto no detergente da roupa. O A. Sousa está a falar de 33,(3) % de desconto no aglomerado das compras. Isto não é claro?
    Mesmo que outro hipermercado vendesse os produtos aos preços que diz, para mim poderia não ser razão suficiente para mudar uma vez que o custo total é igual!

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