Segunda Circular

Esta capa despoletou a discussão

Esta capa despoletou a discussão

Há coisas que me tiram do sério. Esta ideia de um novo projecto para a Segunda Circular é das coisas mais estupidificantes que vi nos últimos tempos! Mas, o que mais me chateou é que parece que o objectivo era ninguém topar a coisa, e ela passar incólume… Na verdade, pesquisando no Google, encontramos notícias mais antigas, mas foi só com a capa do Diário de Notícias de dia 5 que a polémica estalou. Ainda assim, com tantos poucos dias, vamos tentar dar aqui o nosso contributo, para fazer ver à Câmara que estão a ir claramente pelo caminho errado!

Antes de mais, é preciso que quem queira dar o seu contributo, o faça de acordo com as indicações da página desta proposta no site da Câmara de Lisboa.  O texto não é absolutamente claro, mas parece ser necessário preencher este impresso e enviá-lo para o email dmpo@cm-lisboa.pt

Quase todos os posicionamentos que se vão conhecendo, são no sentido de destruir quase completamente os argumentos da Câmara. O do presidente do ACP era esperado, e não se fica por meias palavras: “Só uma pessoa que não percebe absolutamente nada ou que quer prejudicar a vida das pessoas é que pode pensar em fazer um projeto daqueles”. Menos esperada é a posição de Manuel João Ramos, presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, que refere que esta proposta da Câmara vai causar engarrafamentos monumentais, tem um tráfego pesadíssimo”. Assim, de repente, são vários os aspectos bastante reprováveis na proposta:

  • Não há qualquer análise de impacto económico da proposta, para além de se saber que se vão torrar cerca de 10 milhões de euros.
  • A preocupação principal parece ter sido fazer uns renders bonitos. Basta ver o render do final da Azinhaga das Galhardas para perceber que se a Câmara quisesse ter aquilo verdinho, tinha. Ou o render é da Primavera, e a foto actual do final do Verão?
  • A Câmara parece preocupada com a geração de poluição. Na verdade, muita da poluição que é gerada a mais resulta do pára-arranca. Resolvido esse problema, a poluição baixaria drasticamente. Adicionalmente, toda a gente sabe que quase todos os carros modernos são mais eficientes a 80 Km/h do que a 60 Km/h.
  • Se a preocupação é a de plantar árvores, já podiam ter começado há muito tempo. Basta olhar para o render do nó da Segunda Circular com o Eixo Norte Sul, para perceber que as árvores já podiam estar lá há muito! Aliás, podiam ter evitado cortar uma série delas, como as que foram retiradas da envolvente do Estádio da Luz.
  • A argumentação de que a velocidade média é de 45.7 Km/h, e de que portanto a redução da velocidade máxima de 80 Km/h para 60 Km/h não terá impacto, é patética. A velocidade média da segunda circular é baixa porque falta resolver os seus vários problemas. Quando esses problemas estiverem resolvidos, a velocidade média pode aumentar significativamente, até porque a velocidade de projecto da segunda circular é porventura mesmo superior a 80 Km/h em vários dos seus troços.
  • A alienação do aeroporto da cidade de Lisboa é inqualificável! Então agora vai-se privilegiar os acessos do aeroporto para a CRIL, desvalorizando o acesso à cidade? Os taxistas do aeroporto agradecem!
  • Se a ideia é que o tráfego destinado à A1 norte seja retirado para o Eixo Norte Sul, porque é que estas placas ainda lá estão (primeira imagem)? Aliás, porque estão ainda lá no render (segunda imagem)???
Fácil "melhorar" esta placa...

Fácil “melhorar” esta placa…

A placa vai continuar lá???

A placa vai continuar lá???

Na verdade, esta proposta faz-me lembrar outra que causou grande inconveniente à cidade: a ponte pedo-ciclável sobre a segunda circular, nas imediações das Torres de Lisboa. Para quem ainda se lembra, e utiliza aquele troço da segunda circular, foi um inferno durante vários meses! Para quê? Na verdade, há dias o Público contou que esta obra sem sentido serve para 20 peões e 2 ciclistas por hora.

Nesse sentido, aqui no Poupar Melhor vamos fazer um conjunto de propostas simples, baratas, e que resolveriam rapidamente os problemas da Segunda Circular. Depois, vamos juntar isso tudo e enviar para a Câmara. Se entretanto quiserem contribuir com ideias, não deixem de nos as fazer chegar, ou à Câmara…

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  1. Pois eu acho que a câmara está a ser pouco ousada nesta mudança. Eu defendo que a 2º circular deveria ficar só com 2 faixas, ficando as 2 centrais reservadas para aos autocarros.

    Seria possível criar uma nova carreira baseada no 50, que ligaria a Estação de Algés pela CRIL, Estação de Benfica, Colégio Militar, Campo Grande, Aeroporto e Gare do Oriente.
    No fundo, seria a criação de mais uma linha de metro, circular, ligando vários meios de transporte pesados, numa via dedicada, rápida e fiável. E com custos de construção muito baixos. Começando com gasóleo e pneus, caso tivesse sucesso, poderia ser passada para modo eléctrico e com carril, usando veículos idênticos ao do metro do Porto.

    Tenho esperança que seja esse o objectivo final e que esta requalificação seja apenas a primeira fase.

    A melhor forma de transferir pessoas do transporte individual para o publico é reduzir a disponibilidade de estradas e estacionamento, tendo neste caso a vantagem de o substituir por um novo transporte público.

  2. Rui Sousa,
    Não posso concordar com a sua análise.
    A carreira que exemplifica não serve a quase ninguém que hoje se desloca na Segunda Circular.
    Espero que a segunda fase que imagina não seja o fecho da Segunda Circular. Também se poderia fechar o Aeroporto, a CRIL, a CREL? Fechava-se também a cidade, e voltavamos à Idade Média?

  3. Não voltamos à idade média, mas sim a um futuro melhor, que muitos países já descobriram antes de nós.

    O mundo está cheio de vias rápidas urbanas que foram desmanteladas e não há noticias que tenham voltado a morrer bruxas nas fogueiras.

    Uma espécie de idade média é o que se vive agora, com as cidades cheias de ruído e fumo, onde as crianças e demais pessoas não podem andar a pé sem o risco de serem atropeladas e os passeios estão tomados de assalto por monstros de metal.

    Esta carreira hoje em dia não serve ninguém que passa na 2.º circular, mas se reparar no que escrevi, foquei a ligação com outros meios de transporte. Por exemplo, hoje em dia alguém que mora em Alverca e trabalha em Algés não tem outra hipótese que não seja levar o automóvel. A carreira 50 demora mais de uma hora a fazer o percurso da Gare do Oriente a Algés. Com via dedicada, ia fazer o percurso mais depressa que hoje em dia o automóvel nas horas de ponta.

  4. Rui,
    Confesso que o seu dogmatismo me choca! Se sinceramente acha que vive numa “espécie de idade média”, espero que não esteja perto da Grande Civilização! Mas, pelos vistos, tem acesso à Internet?
    Bem, como não me lembro da última vez que andei num autocarro da Carris, lá tive que ir investigar a sua carreira 50. Que pelos vistos é 750 há algum tempo, pelo que presumo que não a frequente. Se a frequentasse, ou pesquisasse na Internet, veria que ela leva esse tempo todo, porque na grande maioria da uma hora que refere, essa carreira não anda na Segunda Circular, no que ao traçado da Segunda Circular diria respeito…
    É claro que na via dedicada que refere, faria a viagem bem depressa, sem quase ninguém!

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