O contributo das eólicas

Há já algum tempo que desmontamos um dos argumentos mais sui-generis da ERSE, e que diz que o preço da electricidade tem que subir quando o consumo desce, independentemente do consumo subir!

Mais recentemente desmontamos o primeiro argumento da ERSE e que consiste em culpar os preços da energia primária nos mercados internacionais. Os argumentos utilizados são os da própria ERSE! Depois, olhamos para o contributo que a cogeração dá para o aumento de preço da electricidade.

Nesta sequência de investigação, as referências à energia eólica foram aparecendo disfarçadas. Foi preciso juntar vários dados para colocar as ideias direitas. A principal e que não me sai da cabeça é o contributo da energia eólica no mix de produção da electricidade que nos chega a casa. Está bem visível nas factura da electricidade:

Mix Fontes Energia

Mix Fontes Energia

Ora, como representa a maior fonte, se fosse uma energia barata, então o preço deveria baixar? Mas, se está a subir, alguma culpa deverá ter!

A resposta encontrei-a nos vários documentos da ERSE relativa à subida de preços da electricidade dos últimos anos, e que podem ser obtidos a partir deste link. Daí compilei os valores do sobrecusto dos PRE (Produção em Regime Especial), para os últimos anos, e que só este ano representam 1.75 mil milhões de euros, de um total de 2.64 mil milhões de euros dos Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral. Deste total do PRE, 800 milhões foram logo despachados para os próximos anos, pelo que os vamos pagar com juros…

Do que sobra, a figura abaixo dá-nos claramente a ideia de onde estão os sobrecustos: as eólicas! Nos últimos anos, o sobrecusto anual das eólicas tem sido acima dos 400 milhões de euros, consistentemente acima da cogeração não renovável, e muito acima dos restantes PRE. E isto sem contar com o que é varrido para debaixo do tapete, e que dá pelos lindos nomes de “alisamento dos custos da PRE” ou “diferimento do sobrecusto da PRE“.

Aqui ao lado, em Espanha, o corte nestas rendas excessivas segue dento de momentos. Por cá, até o Primeiro Ministro se queixou esta semana de no passado “termos muitas vezes contratualizado benefícios excessivos nas renováveis“, mas cortar nessas rendas excessivas que todos pagamos na factura de electricidade, nem uma palavra! Para mim, a conclusão é bem simples: as eólicas podem ser boas para o ambiente, mas são más para a minha carteira!

Sobrecusto da PRE nos últimos anos

Sobrecusto da PRE nos últimos anos

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  1. Antes de mais parabéns ao autor do artigo pelo excelente post e também ao autor do blog.
    É verdade que a energia eólica nem por isso se revela uma boa escolha em termos de custo. Isto acontece fundamentalmente porque o vento não é constante e muitas horas é mesmo inexistente. Assim temos equipamentos (torres eólicas e restantes máquinas) de elevado custo que não estão a ser óptimizados e cujavida útil é diminuta. Estes investimentos deveriam ser muito bem ponderados desde o início e parece que nao foi esse o caso, infelizmente. Agora o povo é que paga.

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