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Contadores inteligentes que contam mal

Segundo um estudo de investigadores da Universidade de Twente, há contadores inteligentes com leituras quase seis vezes maior que as da energia efectivamente consumida.

Os investigadores puseram à prova nove contadores inteligentes utilizados na Holanda, e produzidos entre 2004 e 2014. Infelizmente, do material que está publicamente disponível, não estão indicadas as marcas/modelos.

No abstract do paper original, pode-se ler que dos nove contadores, houve dois que se desviaram no sentido contrário. Registaram desvios de -31% e -32% . Mas foram os desvios positivos que deram muito na vista. Esses desvios chegaram a ser de +475%, +566%, +569%, +581% e +582% !

As leituras incorrectas foram atribuídas ao desenho do contador inteligente, associado ao número cada vez maior de interruptores electrónicos. Muitos desses equipamentos são mesmo pensados para poupança de energia. Estes equipamentos introduzem distorções à forma senoidal das ondas de energia, distorções mal interpretadas pelos contadores inteligentes. Os investigadores conseguiram ainda correlacionar as leituras invulgarmente elevadas com aqueles contadores que utilizam um “Rogowski Coil”, enquanto os contadores com leituras abaixo do normal utilizam um “Hall Sensor”.

Pelo que li do estudo, fiquei todavia com sérias dúvidas sobre o alcance do erro. Quando estamos a falar de lâmpadas LED e interruptores, estamos a falar de consumos baixos. Também não temos a noção durante quanto tempo se manifesta o erro de leitura. A mim não me admirava que estivesse relacionado com consumos mais próximos de zero, conforme evidenciamos neste artigo

Ar Condicionado a diferentes temperaturas

Já todos ouvimos referências às diferenças de consumos quando programamos um ar condicionado a diferentes temperaturas. Tive oportunidade de constatar isso com bastante clareza este fim de semana.

Para que a comparação seja justa, é preciso dizer que quer no Sábado, quer no Domingo, a temperatura máxima foi de 35ºC. No Sábado a mínima foi de 19ºC, enquanto no Domingo a mínima foi de uns estonteantes 25ºC.

No Sábado, a temperatura do espaço a condicionar foi de 24ºC. O gráfico de consumo de electricidade no Sábado é o visível abaixo, e como se pode constatar, o ar condicionado esteve a consumir electricidade durante praticamente todo o período em que esteve activo, consumindo sistematicamente mais de 1 kWh:

Electr

Electricidade consumida para arrefecer espaço a 24ºC

No Domingo, a temperatura do espaço foi programada para 26ºC, e como se pode ver pelo gráfico abaixo, o ar condicionado teve muitos períodos em que o seu consumo de electricidade foi nulo. Os valores de pico foram bastante semelhantes, ou até marginalmente mais elevados. A diferença de consumo entre os dois dias foi de cerca de 6 kWh, mas como no Domingo arrefeceu cerca de uma hora menos, então a diferença de consumo terá sido de cerca de 5 kWh, um custo adicional de cerca de um euro, no Sábado, para arrefecer mais 2ºC…

Diferença que fazem 2ºC

Diferença que fazem 2ºC…

Standby de ar condicionado

Os equipamentos de ar condicionado têm um consumo em stand-by um pouco elevado. No caso de sistemas multi-split, vejo por vezes referenciados valores de 50 Wh.

Acontece que o consumo dos sistemas de ar condicionado está associado à manutenção da temperatura do óleo do cárter. Para isso existe normalmente uma pequena resistência que aquece o óleo do cárter do compressor, para que ele esteja à temperatura ideal quando o aparelho fôr solicitado.

Ocorrem todavia vários aspectos que interessa avaliar. Em primeiro lugar, o consumo de electricidade é maior no Inverno, quando é preciso mais energia para manter os fluidos à temperatura indicada. Num equipamento que tive oportunidade de avaliar, o consumo não era constante, mas função da temperatura exterior. E não estava sempre ligado, ora ligando, ora desligando. Tal significa que no Verão, em princípio, os consumos em stand-by serão bastante inferiores.

Obviamente, a forma mais rápida de nos livrarmos destes consumos em stand-by, é desligar os aparelhos no quadro eléctrico. Esta é normalmente a única forma de acabar efectivamente com esse consumo. Mas, há um grande SENÃO!

Esse senão é que ao voltar a ligarmos o equipamento no quadro eléctrico, não podemos usar imediatamente o ar condicionado! Se isso acontecer, e os fluidos não estiverem à temperatura correcta, boas coisas não vão acontecer ao compressor… As marcas recomendam que os aparelhos sejam ligados no quadro eléctrico até umas 8 horas antes de se ligarem as unidades internas. Para isso, deve consultar os manuais dos equipamentos em detalhe. Esse tempo deverá ser naturalmente maior quando se voltarem a ligar no início do Inverno, pois as temperaturas externas serão menores. Mas, e como o seguro morreu de velho, mesmo no Verão, deve ligar as unidades externas umas boas horas antes de começar a produzir frio nas unidades internas…

Lembre-se que é importante poupar electricidade, pois poupa na carteira. Mas, se avaria um equipamento destes, o peso na carteira será muitíssimo maior…

Obter eletricidade a partir de linha telefónica

O vídeo apresenta uma forma de obter eletricidade da linha telefónica. Isto só é válido para as linhas telefónicas à moda antiga. Aquelas linhas que ligavam os nossos telefones antigos.

Aqui em Portugal os telefones da Portugal Telecom recebiam energia elétrica do próprio cabo. A nossa questão é só que isto não parece nada legal.

Atenção à nota que o próprio autor coloca:

Note: This project is intended for emergency situations only. Please be aware of applicable local laws regarding phone lines in your area.

Electricidade para Marrocos?

Há notícias absolutamente deliciosas! O Álvaro enviou-me ontem este artigo do pplware, relativa a uma notícia do Dinheiro Vivo, sobre o lançamento de um concurso para estudar a possibilidade de se construir um cabo elétrico submarino entre Portugal e Marrocos.

Tendo em atenção todo o historial que temos tido no tracking dos preços da electricidade em Portugal, a primeira ideia que nos ocorreu aos dois, era que a ERSE passaria a ter mais um excelente argumento para subir o preço da electricidade em Portugal. Porque sim.

Mas, vamos por partes. O anúncio em Diário da República refere:

  • Fica a DGEG autorizada a efetuar a repartição dos encargos orçamentais  decorrentes  do  procedimento  de  aquisição  de  serviços  do  estudo  sobre a viabilidade de construção de interligações de eletricidade entre Portugal  e  Marrocos,  para  os  anos  de  2016  e  2017,  até  ao  montante máximo de 200 000,00 €, acrescido de IVA nos termos legais.

Ora, por uma fração desse valor, nós no Poupar Melhor até faríamos esse estudo! Mas, como não nos pagam para isso, ficam apenas conselhos rápidos, que deverão justificar rapidamente a não necessidade de construir o cabo!

Primeiro, comecemos pelo preço. Quanto custará? Uma pergunta a que nunca se responde. Felizmente, na Internet é possível encontrar respostas rápidas. Um artigo de Março do Público estimava em 600 milhões de euros o custo de tal empreendimento. Dividindo aí por uns 6 milhões de consumidores domésticos, serão só 100 euros a cada família…

O artigo do Público começa a resvalar para a verdade, quando nos diz adicionalmente que a coisa já foi estudada, por uma entidade chamada Medgrid, que tinha uma participação de 5% da REN (segundo os dados da própria REN, é de 6.66%), mas que entretanto já foi extinta! De facto, o site dá um erro, e no Arquivo da Internet, a última versão funcional do site é de finais de Setembro do ano passado. Como se pode ver pelo mapa abaixo, nenhum cabo submarino de Portugal para Marrocos estava previsto:

Mapa Medgrid

Mapa Medgrid

Ainda mais interessante nas notícias é que agora a REN está excluída deste processo de forma a que não seja pago pelos consumidores…

Outra fonte de desinformação é passar a ideia de que Marrocos precisa da nossa energia. Tipo, “importa 95% da energia que consome“. Mas, segundo esta apresentação, as importações são responsáveis por apenas 18% do consumo de electricidade, sendo que Marrocos tem interligação com a Argélia, estando também prevista com a Mauritânia, para além das interligações com Espanha… E se for em termos de energia, a importação de electricidade correspondia apenas a 2.2% do total em 2012… E se olharmos para os projetos planeados ou já em curso, é bem provável que comecem a ter problemas como o nosso não tarda nada… Ou seja, quando o cabo estivesse pronto, quem estaria a exportar seriam os nossos amigos marroquinos?

É claro que os nossos amigos Espanhóis também andam a estrabuchar. Na realidade, têm o mesmo problema que nós, que é um excesso de produção de energia renovável. Na página da REE (equivalente REN em Espanha) sobre interligações é possível ver isso mesmo. Mas, a verdade é que a interligação de Marrocos faz sentido é por Espanha. Nesta página do Wikipedia vemos que há muito que isso está a ser feito! A primeira começou a funcionar em 1998, e a segunda em 2006. No horizonte 2020 estão previstos mais três cabos para o continente africano, embora sendo dois para Ceuta, não se possam considerar Marrocos, apesar de estar prevista a natural continuidade.

Na verdade, chegamos aqui porque temos energia renovável a mais, e como foi agora assumido pelo Ministro da Economia, até dá vontade de chorar:

  • Quando há excesso de produção de energia estamos a perder valor ou, como tem estado a acontecer, a escoar para Espanha a muito baixo preço.

Na verdade, é algo que já tínhamos abordado indiretamente neste artigo. Da próxima vez que virem notícias deste teor, lembrem-se do desabafo do Ministro. E que quem paga essas aventuras todas é o mexilhão…

E se o Ministro quiser evitar pagar mais uns estudos, não precisa. O diagnóstico parece claro, e a terapia já foi aplicada aqui ao lado!

180º estudo: o do frigorífico avariado e dos estudos científicos que os média não leem

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana ficamos a saber que o A.Sousa andou a tentar poupar na taxa da televisão e pode com isso ter avariado o frigorífico.

Terminamos a falar sobre estudos ciêntificos que, mesmo estando cientificamente bem concebidos, acabam por ser usados pelos media para publicitar conclusões que não podiam ter tirado.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do PouparMelhor está também no iTunes.

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