A estupidez da taxa dos sacos plásticos

Temos dado muitas referências aqui à taxa sobre os sacos de plástico. Enumeramos as alternativas. Propusemos uma alternativa ainda melhor! Obviamente, os Portugueses não são burros, e fintamos colectivamente o Ministro do fundamentalismo ambiental. Enfim, a alta dos outros sacos de plástico era mais que esperada, porque ainda há quem tenha memória neste País.

Sem surpresas, o Público publicou ontem uma notícia que confirma o desastre da taxa dos sacos de plástico. O que diz é confrangedor, até porque não foi a pensar no Ambiente que se fez a taxa, como manifestamente se verifica pela última citação abaixo. Vendeu-se uma coisa “verde”, mas que na verdade dá origem a mais plástico, de “melhor” qualidade, ie. que se degrada menos, menos empregos, e até aposto que menos receita para o Estado (IVAs, IRSs, gastos em desemprego dos despedidos, etc.). Cúmulo do cúmulo, gasta-se mais água, detergente e coisas que tal a lavar os “lixiviados”! Mas não é preciso contextualizar. É só ler as frases do artigo para constatar a verdade nua e crua:

  • O consumo de sacos de lixo em Portugal aumentou mais de 40% desde que entrou em vigor a taxa sobre os sacos de plástico dos supermercados, em Fevereiro.
  • Oito meses após a introdução da taxa de dez cêntimos, o Ministério do Ambiente ainda não tem números sobre a sua aplicação.
  • há efeitos colaterais – incluindo quebra de receitas e despedimentos na indústria.
  • “Verifica-se uma grande redução dos sacos de plástico dos supermercados. O que aparece agora são sacos de maior volume, pretos”, afirma Susana Ramalho, directora executiva da Resialentejo
  • Os cidadãos que antes utilizavam os recipientes gratuitos dos supermercados para levar garrafas, papéis e embalagens para o ecoponto agora compram sacos novos para este fim.
  • O mesmo está a acontecer no contentor do lixo normal: os sacos tradicionalmente pretos estão a ocupar o lugar dos de supermercado.
  • os cidadãos estão a despejar o lixo directamente para o contentor, sem saco nenhum, aumentando o problema das escorrências. “Há muito lixiviado. As próprias viaturas de recolha ficam mais sujas”, afirma Cristiana Santos, coordenadora da área técnica da Tratolixo
  • “As entidades [que fazem a recolha] reportam um agravamento nos custos com as lavagens”, completa.
  • Mas a consequente redução do consumo de petróleo – de que os plásticos são feitos – será minorada pela maior utilização de sacos de lixo.
  • Há outros efeitos colaterais da taxa. Apenas os sacos de supermercado têm o “ponto verde”, ou seja, a sua reciclagem é financiada pela indústria. Os sacos de lixo não o têm, porque são considerados um produto, e não uma embalagem.
  • Os efeitos benéficos da taxa sobre os sacos leves serão provavelmente diluídos pelo aumento da produção de lixo em Portugal.
  • A Comissão para a Reforma da Fiscalidade Verde, que propôs a taxa, não se preocupou com a questão dos sacos de lixo. “É uma análise ambiental, nós fizemos a análise económica”, diz Jorge Vasconcelos, que presidiu à comissão.

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